Imagem: https://www.instagram.com/anekar0line/


Me lembro com clareza da criança que fui, aprendo com ela ainda hoje. Aprendo mais com minha criança que com qualquer outra versão minha. Minha criança sabe exatamente quem eu sou. Me lembro, também com clareza, da expressão gentil e divertida da primeira pessoa que me ensinou sobre crianças. Eu, no auge dos dezoito anos, com o sentimento de quem sabe de tudo, vi que ela me olhava com curiosidade durante toda a aula. Ao final, disse que a pessoa escolhida para o trabalho acadêmico sobre lecionar inglês na primeira infância seria eu. Eu questionei, esbravejei: logo a mim coube a incumbência mais distante do que eu julgava ser a minha personalidade docente. Fiz o trabalho, como me coube, e achei a teoria linda, mas sabia bem que a realidade seria outra - só não sabia que a realidade seria ainda melhor. 

Comecei, enfim, a trabalhar com crianças em 2016. Tudo em mim se quebrou, todas as certezas que eu tinha foram abaladas, todos os meus medos modificados, minha intensidade foi multiplicada por doze cabecinhas: por dois dias semanais, dezesseis horas mensais. Eu ainda não sabia, me seriam elas responsáveis por grande parte de quem  eu sou agora. Agora, passo cerca de cento e vinte horas mensais sendo ponte no processo de ensino-aprendizagem de crianças incríveis e, por mais que a carreira acadêmica me chame, sei que esse processo pelo qual passo - que é, muito provavelmente, temporário - me torna cada dia mais quem eu sou. As minhas crianças são as principais responsáveis pelo meu processo diário de quebra e reconstrução: elas me ensinaram que só a alma permanece, o resto a gente tem que quebrar e reconstruir todos os dias. Ser criança é abraçar a efemeridade da vida.

Pensando, então, nesses seres mestres, separei uma lista com 26 livros infantis (sobretudo, voltados para a primeira infância) e 12 gibis da turma da Mônica para que as letras os façam companhia durante esse momento - além de poderem usar as histórias literárias como inspiração para criar suas próprias, como sei que fazem. Os arquivos em pdf estão disponíveis em duas pastas no google drive para download gratuito. Os títulos dos livros estão descritos abaixo. Desejo boa leitura a todos e, às minhas crianças, até breve. 

Link para download dos livros, CLIQUE AQUI.

Link para download dos gibis, CLIQUE AQUI. 

1. Era uma vez um gato xadrez
2. O homem que amava caixas
3. Você troca?
4.  Lagartinha Comilona
5. O mostro das cores
6. A casa sonolenta
7.  Menina bonita do laço de fita
8.  Marcelo, marmelo, martelo
9. Cada um mora onde pode
10. Bom dia todas as cores
11. Coletânea de poemas
12. Tenho medo mas dou um jeito
13. O grande rabanete
14. O peixinho e o gato
15. Quando me sinto assustado
16. Tenho mais monstros na barriga
17. Os dez amigos
18. Quando me sinto zangado
19. O poço do Visconde
20. Reinações de Narizinho
21. Urupês
22. Peter Pan
23. A borboleta rosa
24. A honestidade sempre vence
25. A festa da muriçoca
26. História das invenções
+
18 gibis da turma da Mônica

com amor, 
Ane Karoline


Imagem: Ane Karoline

Se eu fechar os olhos e me concentrar bastante, consigo ver o meu eu de um ano atrás: obviamente, muito mais imaturo e menos saudável que o meu eu atual, mas o mais interessante - que é o que nos cabe aqui - é lembrar com fiquei estarrecida ao terminar o ano tendo lido apenas vinte e cinco livros em 2018. Bom, se existir uma dimensão atemporal na qual todos os nossos eus se encontrem, espero que meu eu de 2018 não fique ainda mais estarrecido: esse ano li apenas quinze livros. Em 2019, li dez livros a menos que em 2018, mas tudo bem. 

Tudo está bem porque vivi um avalanche. Contive incêndios, chorei petróleo e evitei desabamentos. Aprendi e ensinei tanto, ao ponto de passar noites sem dormir e cochilar no meio de uma reunião de trabalho. Dois mil e dezenove foi meu ano da emancipação, foi meu ano nesse território novo que é a vida adulta, foi meu ano de engolir o choro para acalentar quem estava chorando, foi meu ano de lagarta - a parte primordial da metamorfose. Ainda assim, e talvez exatamente por isso, descobri que a literatura vive em mim, ou melhor, que não existo sendo quem sou sem a literatura. Eu não deixei de ler. Li ao menos uma página por dia - ainda que o cansaço me fizesse dormir logo em seguida. Além disso, e o que considero mais importante, falei sobre literatura todos os dias - o que me rendeu ótimas conversas. Saber que a literatura está presente em cada célula minha me torna mais eu. 

Assim, posso dizer que, apesar de poucos, li excelentes livros esse ano. Há alguns anos eu não lia livros com tamanho potencial transformador. Sou muito grata a todos esses autores, e suas respectivas palavras, por terem me encontrado. 

Vale lembrar que nem todos os livros aqui listados foram lançados em 2019, mas eu os li em 2019. 

Imagem: Ane Karoline
Sem hesitar, o melhor livro que li em 2019. Eu o conheci, primeiramente, em uma aula de literatura no ano de 2017 através de um breve comentário da professora. O subtítulo do livro jamais me saiu da cabeça: "Diário de uma favelada". Pois bem, em 2019 encontrei o livro na escola onde leciono e pude, finalmente, lê-lo. O devorei em dois dias e fiquei outros tantos pensativa. Tenho lido autores incríveis, tenho lido a tal alta literatura, tenho lido cânones e jamais li as vísceras de alguém expostas em páginas de papel. Está tudo lá, todas elas, as vísceras de Carolina impressas em todas aquelas páginas - que originalmente foram escritas com muito suor e sangue. A destreza com que escreve a autora me intrigou, em primeiro lugar, acerca do conceito de talento (o qual sempre questionei e sempre julguei estar ligado à técnica, mas que técnica teria Carolina?) e, em segundo lugar, sobre o sangue de tantos brasileiros derramado, em vão, no chão do Brasil. O livro dói, sobretudo para mim - que também venho da favela. O livro é grande e engradece também. Se eu tiver que indicar a leitura universal de um livro aos brasileiros, o livro é esse. Desculpe, Machado. 

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Clarice Lispector prestigiando Carolina Maria de Jesus


Comecei a ler Virginia Woolf em 2018 e caminho, desde então, sabendo que tem uma mulher a mais segurando em minha mão. Ganhei esse livro de aniversário e foi um baita presente acetado, se eu não tivesse lido o "Quarto de despejo" esse teria sido o melhor livro do ano. Woolf faz uma análise comparativa histórica sobre atuação das mulheres na sociedade, sobretudo, no que tange aos impedimentos para uma atuação tal qual desejada pelas próprias mulheres. De sua forma analítica, a autora discute como vários acontecimentos históricos poderiam ter acontecido de forma mais acertada - ou menos trágica - se as mulheres tivessem podido atuar mais ativamente, como desejavam. É um livro curto, direto e perspicaz, vale cada linha da leitura. Indico, inclusive, para quem quer conhecer mais acerca de equidade e feminismo

Sim, mais uma mulher de escrita incrível. Sim, mais um livro que me deixou estupefata. Para não me estender aqui, vou utilizar a resenha que fiz ontem (professora em paz com seu recesso)  para  deixar claro o quão maravilhoso é esse livro. Leia a resenha AQUI. 

Imagem: Ane Karoline

Novamente um livro escrito por autora mulher - as mulheres que me leem saberão a importância dessa enfase que aqui dou. Pois bem, esse foi um dos primeiros livros que li esse ano - se não me engano, foi o segundo. Na época em que o li (gosto de contextualizar), estava me recuperando de uma intoxicação medicamentosa terrível e estava me sentindo extremamente injustiçada. Abri o livro e a autora começa a narrar entrevistas feitas com adultos que foram crianças sobreviventes da segunda guerra mundial, dois tapas, um de cada lado da minha face: desisti imediatamente da minha sensação de ter sido injustiçada. Se espremêssemos esse livro, escorreriam lágrimas que são dolorosas em si mesmas - unidas às minhas. Ainda que já soubesse, me vi chocada com a crueldade ocorrida durante a guerra, por isso, acabei também fazendo uma resenha sobre os livros de guerra (sobre as duas grandes guerras) que li - na qual discorro com mais cuidado sobre esse livro. Leia a resenha AQUI.  

Os três próximos livros, incluindo este, ampliaram minha visão acerca de negritude e racismo. Esse foi o primeiro livro de Baldwin que li e que também me dilacerou e derreteu na mesma proporção. A escrita de Baldwin é fluída, é cuidadosa, é dotada de uma técnica despretensiosa e extremamente refinada. A angústia de Tish (a protagonista) ao longo de todo o romance em busca de libertar seu amado Fonny da prisão - a qual ela julga ser injusta. É doloroso e, ao mesmo tempo, surpreendente notar as cenas descritas pelo autor se formando e ilustrando o racismo terrivelmente institucionalizado - dificultando cada passo das personagens. O que me move ainda mais é perceber que o livro foi publicado em 1974 e que parece tão atual. Leitura obrigatória. A indiferença cega.

Imagem: Ane Karoline


Esse foi o segundo livro que li de Balwin e devo confessar: o meu exemplar está caindo aos pedaços. O fato é que são 530 páginas intensas e vivas demais, levei o livro para absolutamente todos os lugares que fui. Enquanto meus alunos realizavam uma tarefa, eu li; enquanto esperava no banco, eu li; enquanto esperava no hospital, eu li; enquanto estava no engarrafamento, quis largar o volante para ler. Mais uma vez, Baldwin me cativou e me ensinou muito. 

Antes que eu tivesse ouvido falar desse livro, uma pessoa me contatou no instagram perguntando se eu tinha o livro para emprestar. Eu não tinha, mas tive que ter. Tê-lo lido antes de ler Baldwin me fez entender um pouco do que eu precisava para ler as entrelinhas de Baldwin, me preparou. Eu gostaria de recomendar esse livro, sobretudo, aqueles que jamais viveram em guetos/favelas/periferias, aqueles que não sabem como é que se faz para sobreviver ao ódio, a pão e água. Logo no começo da narrativa, há um diálogo bem explicativo sobre o que estou tentando dizer: "The hate you give little infants fucks everybody" ("O ódio que você passa para as crianças acaba com todo mundo"). Quem só recebe ódio, não sabe dar amor. Quem só recebe ódio, não pode ser cobrado por amor. Esse é um livro sobre medo, sobre autoconhecimento, sobre racismo, e, sobretudo, sobre a falta de amor. 

Por último, mas não menos importante está a única HQ que li em 2019. É também sobre a segunda guerra - sobretudo, sobre o holocausto - e é, certamente, uma das narrativas melhor estruturadas que já vi em HQs. Não me estenderei porque já fiz resenha sobre essa belezinha. Leia a resenha AQUI

com muito amor - e desejando um esplêndido 2020, 
Ane Karoline



Ela está sempre lá. Quando chego do trabalho cansada, quando estou em um trânsito terrível, quando estou triste, quando estou feliz, quando preciso relaxar, quando quero ser produtiva. Ela me guia, me mostra os caminhos mais doces e sempre tem a frase que eu preciso ouvir. Ela me ajuda a dar conselhos e, quando eu quero muito ajudar alguém mas não sei o que dizer, basta correr e dizer "acho que sei um livro que pode te ajudar". A literatura. Ela tem me salvado desde que aprendi a ler e esse ano de 2018 não foi diferente: a literatura me ajudou a respirar.

Esse ano, em especial, foi muito diferente dos anteriores: por conta da conclusão da graduação, li apenas vinte e cinco livros. Entretanto, foi mais difícil escolher os meus dez preferidos já que, pelo tempo limitado, selecionei com muito cuidado os livros que leria. Assim, os que indico aqui são a nata preciosa que tive o prazer de encontrar esse ano e quero, com muito carinho, indicar para vocês que me leem. 

É importante lembrar que nem todos os livros aqui listados foram lançados em 2018, mas eu os li em 2018. De alguns deles teremos resenhas completas em 2019 e, por isso, farei apenas um breve resumo agora. 

1.Um teto todo seu - Virgínia Woolf
Foi minha estréia com a incrível Virgínia Woolf e fala justamente sobre o meu dilema: como uma mulher que ainda não é financeiramente independente pode escrever livremente e se manter? Fiz uma resenha dele em março AQUI.




2. I know why the cageg bird sings - Maya Angelou
Esse livro vai ganhar uma resenha especial sobre ele — a qual ainda não tive tempo de fazer, mas terei. Porém, já adianto que é um livro autobiográfico e extremamente sensível. Angelou escreveu muito poemas incríveis, mas foi o romance que dela que de fato me marcou. É um livro que consegue perpassar muitos temas difíceis de serem discutidos através da figura representativa da Maya. A leitura é indispensável. 

3. O Sol na cabeça - Geovani Martins
Como brasileira, posso dizer que esse foi um dos melhores livros que li na vida. É lançamento do ano da Companhia das Letras e escrito por um autor também lançamento. Fiz resenha dele em abril AQUI.


4. Os homens explicam tudo para mim - Rebeca Solnit
Eu comprei esse e-book acidentalmente, mas acabou sendo um encontro. Devorei o livro em dois dias para tentar engolir o nó — necessário — que trouxe à minha garganta. Solnit vai além do feminismo e traz outras discussões e reflexões extremamente necessárias acerca da vida em sociedade e, acima de tudo, sobre respeito. Tem uma mini resenha dele AQUI


5. Pedagogia da autonomia  - Paulo Freire
Em seis anos de licenciatura, não havia lido ainda Paulo Freire. Ao escrever meu trabalho final, senti a necessidade e, ainda que não tenha sido uma leitura obrigatória e nem tenha entrado, de fato, em em meu trabalho, Freire me libertou com seu ideal pedagógico. É uma reflexão libertária e essencial. 


6. Mulheres de cinzas -  Mia Couto
É o primeiro livro da trilogia "As areias do imperador" em que Mia Couto trata sobre a chegada de Portugal à Moçambique. Foi minha primeira leitura de um romance histórico e notei o poder que esse tipo de literatura tem: a força história unida à estética literária. Leitura essencial. Não vou me delongar pois em Janeiro teremos resenha da trilogia completa. 

7. Sombras da água - Mia Couto
É o segundo livro da trilogia "As areias do imperador" acima citada. 

8. O bebedor de horizontes - Mia Couto
É o terceiro e último livro da trilogia "As areias do imperador" acima citada. 

9. O que é lugar de fala? - Djamilla Ribeiro
Em 2018 tive ainda o prazer de participar de uma #MaratonaDeLeiturasFeministas e o primeiro livro lido foi justamente essa obra esclarecedora da Djamilla Ribeiro. Ainda que eu tenha estado em um estado de pesquisa constante nos últimos dois anos, esse livro me foi essencial por diversas razões mas, sobretudo, para entender mais sobre respeito. Até então, o conceito de lugar de fala me era muito problemático, mas ao ler o livro, percebi a simplicidade do assunto. É um livro curtinho e muito simples, obrigatório para quem quer entender mais sobre respeito e vida em sociedade.



10. O que é empoderamento? - Joice Berth
Ainda impulsionada pela maratona, o livro de Joice Berth foi o segundo a ser lido e também me esclareceu outro termo que me parecia extremamente abstrato — empoderamento. A autora dialoga com Paulo Freire ao pensar em um empoderamento coletivo social e não individualizado. Além disso, me ajudou a visualizar melhor como a mulher negra é posta na sociedade brasileira.

com muito amor — e desejando um lindo 2019, 

Ane Karoline



Nasci com um buraco flexível bem no meio do meu peito Algumas vezes ele cresce e se dilata ao ponto de sugar todo o meu ar e me sufocar. Outras vezes ele diminui ao ponto de quase não ser perceptível - quase. Ele nunca some, nunca desaparece. Por muitas vezes ter me sentido incomodada, tentei preenchê-lo com todos os tipos de coisas palpáveis e não palpáveis: dinheiro, presentes, viagens, sentimentos, pessoas e relações. Nunca consegui, algumas coisas me sufocaram, outras me deixaram em pedaços; o buraco continua aqui vazio. 

Vazio esse que por vezes é de um silêncio tão cortante que me freia, me congela; outras tantas, um vazio que grita e me diz para ir buscar mais, para aprender, para conhecer o mundo e a mim mesma  - é um buraco que me guia, que tem vida. Admito, é claro, que pela dor que o vazio me trazia, muitas vezes andei curvada; mas agora sei que é isso que me faz continuar: a parte que me falta. 

Boa parte da minha apreciação por essa parte que me falta foi adquirida após a leitura do livro A parte que falta - que é o livro ilustrado mais simples e simbólico com o qual já me encontrei.  Escrito por Shel Silverstein, que conseguiu com uma ilustração quase infantil demonstrar um drama da humanidade, o livro levanta a questão do sentir-se incompleto e da busca pela plenitude através de um personagem sem nome que busca a parte que falta nele. Durante sua trajetória, o personagem encontra diversas partes que poderiam completar-lhe mas que acabam causando diversos problemas, trazendo, assim, o questionamento: será que precisamos mesmo estar completos? Será que a plenitude é encontrada com algo fora de nós? E o melhor: será que existe plenitude?

Tudo que posso dizer é que muito mais nos valem esse livro e uma reflexão tão intensa que essa busca ilusória por uma plenitude impossível de alcançar. E você, o que tem feito com a parte que te falta?



NOTA: 9/10

Ane Karoline

Existem muitas definições de amor, existem muitas formas de demonstrar amor; não raramente, as definições e demonstrações divergem entre si, tornando o processo de amar turbulento. Há quem diga que por amor tudo é possível, que o amor tudo suporta, o amor tudo arrisca, o amor tudo perdoa, mas será que por amor um herói pode se tornar vilão? 

Sobre este conflito escreve Amanda Nunes em seu romance 60 horas. Um romance repleto de aventuras, desventuras, rupturas e reviravoltas, no qual um sargento da polícia militar brasileira (Hudson) vê-se coagido a passar por cima de sua boa índole na tentativa de salvar o amor de sua vida (Gabriela).  Após acordar de uma noitada da qual não se recorda com clareza, Hudson percebe a ausência inesperada de sua esposa; enquanto busca por sua esposa em casa, ele percebe uma dor inexplicada na nuca e, em seguida, encontra sua emprega em uma situação na qual ele jamais esperaria.  A partir de então, Hudson entra em uma busca desenfreada para salvar a vida de sua esposa e a sua própria. 


O livro 60 horas é repleto de reviravoltas e recheado com muita ação, as descrições detalhadas são capazes de criar cenários específicos na mente do leitor de forma a envolvê-lo nos acontecimentos descritos. Por conta da quantidade de acontecimentos (a maioria inesperados), o livro consegue ser interessante para diferentes públicos: aborda suspense, perseguição policial, ficção científica e romance. Ainda assim, apesar de conter violência e muita perseguição, o livro é característico para quem gosta de romances envolvendo paixões viscerais; Hudson é implacável em função de seu amor por Gabriela e, além disso, há vários momentos de flashbacks apaixonados na narrativa. 

Para além das questões de estrutura da narrativa, 60 horas é um livro que, ainda que sutilmente, aborda questões importantes das diferentes esferas sociais brasileiras; entre elas, o tráfico de drogas e a corrupção policial. O romance foi planejado e escrito de forma a evidenciar questões emocionais mas, ainda assim, acaba por notabilizar a problemática do financiamento e controle do tráfico de drogas nas grandes metrópoles brasileiras - inegavelmente, muitas vezes, apoiado pela polícia em troca de propinas - como retratado, por exemplo, nos filmes Tropa de Elite.

Para mim, alguém que lê mais distopias e contos claricianos, o livro foi um desafio e uma forma de abertura a novos horizontes - entre eles, à nova literatura brasileira que aborda, inclusive, realidades periféricas. Muito me entreteu a leitura do romance, me senti correndo uma maratona com tantas reviravoltas e aventuras, e considero o arco do herói bem construído pela autora: um personagem de boa índole que acaba por cometer crimes, ainda que heróicos, e, sob penas, consegue resgatar sua integridade - ainda que afetada. Aos amantes de aventuras, ação, suspense e narrativas policiais, a leitura de 60 horas está muito bem recomendada!

INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO:
autora: Amanda Nunes 
editora: Autografia
ano: 2015
minha nota: 8
LINK DO EBOOK: https://www.amazon.com.br/dp/B01MQY7GVP

Contato da autora:
email: ac.nunes@outlook.com.br
instagram: @a.c.nunes

Com amor, Ane Karoline

O mandamento, ou conselho, maior; aquele que deveria governar todos os outros; se perdeu. Uma prática que, de tão simples, não consegue ser praticada: amar ao próximo como a ti mesmo. Amar o próximo o suficiente para respeitá-lo e permiti-lo sê-lo quem é. Amar o próximo o suficiente para não  ser capaz de torturá-lo a ponto de fazê-lo odiar a si mesmo. Esse amor, genuíno e fraternal, que é dito, repetido, e pregado, existe, muitas vezes,  só no discurso. Quando é hora de praticar, existe uma exclusão: se o próximo for homossexual, nao vai dar para amá-lo. Mas por que? 


Sobre essa prepotência em achar que se pode escolher quem é digno ou não de amor, escreve o ex Padre Krzystof Charamsa em seu livro " A primeira pedra. Eu, padre gay, e minha revolta contra a hipocrisia da Igreja Católica". Além de abordar a homofobia sofrida pelas pessoas homossexuais por parte da comunidade não-cristã, Charamsa, destaca, primordialmente, a crueldade da Igreja Católica para com essas pessoas. O livro não é escrito por um leigo, todo o discurso do autor é embasado cientifica, historica e sociologicamente, além de ter todo o peso de ser escrito por alguém que conhece a Igreja Católica minuciosamente e que, portanto, tem pleno domínio para falar sobre o assunto. Krzystof Charamsa, além de padre e professor em Universidades Católicas, trabalhou diretamente para o Santo Ofício da Igreja (saindo em 3 de outubro de 2015). Um padre que construiu carreira dentro da Igreja, trabalhou fielmente, para, então, perceceber que jamais seria aceito por essa mesma igreja. 


Unida com toda a poesia e sinceridade presentes no livro, está uma reflexão valiosa sobre o estudo de gêneros e a importância do entendimento acerca da homossexualidade, a desmitificação sobre o poder  de julgamento acerca sexualidade alheia. O autor discute que a homossexualidade, apesar de estar diretamente ligada à sexualidade, vai muito além disso: é a essência de alguém como um todo, não uma preferência ou uma inclinação à perversão. De muitas frases marcantes presentes no livro, escolho essa para resumir bastante do que é dito no livro e convidar a todos vocês, meus leitores, a uma reflexão: "Dos outros se herda a homofobia; a homossexualidade é dada". 



Em apoio ao seu discurso que criminaliza, com razão, o repúdio às pessoas homossexuais, o autor ressalta vários problemas e contradições dentro da Igreja: a falta de amor, a competição venenosa entre as pessoas, a falsidade, a grande quantidade de padre gays existentes dentro da igreja, o alto número de menores e freiras abusados por padres. Ainda assim, ao contrário do que se pode pensar, existe um discurso espiritual muito forte e sensível no livro. A ideia de um Deus justo e amoroso, que não julga e nem apedreja se sobressai à ideia de um Deus punidor muitas vezes disseminada pela Igreja. Dentre toda a hipocrisia citada pelo padre, ele menciona a resistência do alto clero com relação ao atual Papa Francisco - que é considerado muito liberal e um "progressista irresponsável". Traz diversos trechos de discursos do atual Papa em contraponto com atitudes crueis do Clero. 


Tentando não correr o risco de estragar a surpresa do livro, me limito a dizer que é um livro manifesto; divisor de águas entre os tempos. É um manifesto em nome da insustentabilidade da homofobia. É um livro delicado, escrito por alguém que cansou de escrever sua vida nas entrelinhas. Um livro escrito como uma revolução para aqueles que nunca tiverem direito de existir, aqueles que sempre foram torturados, julgados, humilhados e maltratados. É preciso, sim, falar sobre sexualidade e estudo de gêneros. É preciso repeitar e dar voz aqueles que sempre foram amordaçados. Não basta acolher, igreja, tem que aceitar. Não existe cura gay, homossexuais não estão doentes, adoecida está uma sociedade que distorce o discurso, de alguém que jamais julgou alguém, dito há 2000 anos atrás. Ninguém tem o direito de julgamento sobre a sexualidade de ninguém. Se um casal homossexual te incomoda, quem deve procurar ajuda médica é você. Quem sabe você não vem engolindo pílulas de discurso de ódio a vida inteira sem questionar? 


INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO:
autor: Krzystof Charamsa
editora: Seoman - Grupo Editorial Pensamento
ano: tradução, 2017
minha nota: 10

Com todo o meu amor, 
Ane Karoline

Imagem: weheartit.com


Historinhas a gente tem aos montes - contos, estórias e história-  de vida nossa e das vidas alheias. Todas as vidas merecem ser contadas, e agora é hora de Isabel. Isabel tinha uma coisa, uma coisa diferente, e muita gente a julgava tola. Mas a verdade é que ela sempre fora uma acreditadora: sempre acreditou na força do destino, era uma caçadora de sentidos. Parece papo místico, mas é praticidade. Isabel acreditava que tudo acontece por uma razão, tudo tem um motivo que, mais cedo ou mais tarde, vai aparecer e vai gritar para nós: oi, eu sou a razão pela qual você passou tal coisa. 

Reclamava pouco, a Isabel. Se tropeçasse, era sinal para trocar os sapatos; se a comida fizesse mal, era para que ela se alimentasse melhor; se perdesse o ônibus, era para evitar acidente; se tivesse um tumor no cérebro, era para valorizar a vida. Até dos relacionamentos acabados, Isabel sempre levava algo bom, quando questionada, arrumava exemplo até não caber mais: "Quando Lucas me traiu, aprendi que devo me amar em primeiro lugar."; "Quando Amanda me abandonou, aprendi que podemos fazer novos amigos." e quando os exemplos acabavam, ou não convenciam, ela acrescentava: "Todo mundo passa pela nossa vida por uma razão."

Seguiu assim, acreditando, até conhecer Miguel. E, aí, acreditou mais. Miguel: todo inteligente, todo misterioso, todo meias palavras, todo, todo. Miguel: mesma turma de Introdução à Linguística de Isabel. Miguel e Isabel: seis letras cada um. Seis vezes três (pois se conheceram no dia três de fevereiro) é dezoito: a mesma idade tinham. Para Isabel, não tinha como negar, o destino estava ali, gritando, berrando e explicando que as relações anteriores fracassaram somente para que ela encontrasse Marcos. 

Outra coisa coisa que Isabel tinha era uma mania de ser persistente. E, com Miguel, foi. Persistiu por longos três anos, procurando sentido e dizendo a si mesma: temos uma conexão, temos uma conexão, temos uma conexão. Até que, enfim, Isabel se cansou. Quando foi embora, Miguel não hesitou: "Não temos conexão, tínhamos afeto e afeto acaba".Acabou-se Isabel.

De tanto procurar, cair e levantar, Isabel resolveu aceitar que de todas as relações anteriores havia levado alguma coisa, aprendido alguma coisa, sempre restava o amor -  da relação com Miguel, só restara a dor. Aí, quis que ele não existisse. Fechava e abria os olhos, esperando que ele fosse apagado da história da vida dela. Não que quisesse que ele morresse, não, queria é nunca tê-lo conhecido. 

A verdade é que a dor maior foi perceber que estava errada, que não havia razão nenhuma, que Miguel nunca lhe trouxera bem nenhum. Deixou-a aos pedaços, tentando recolher-se e encontrar-se nas palavras; tentando se organizar nas páginas e páginas que escrevia para ele. Páginas que ele mesmo fazia questão de jogar fora. A Isabel toda cheia dos clichês, se doía toda por perceber que havia desperdiçado sua poesia com um Miguel tão indiferente, tão insosso. O Miguel era um poço vazio, oco, um vão, um abismo, onde a Isabel tentou plantar poesia. E enquanto estava entretida com Miguel, não faltava gente em quem investir a poesia de Isabel. Tinha até gente que pedia: "Me escreve, Isabel". E ela nada, só tinha olhos para o Miguel.

Depois que Miguel se foi, a magia foi parcialmente destruída. Ele deixou para a Isabel a pior compreensão: nem tudo na vida tem uma razão. Hoje Isabel sente a vida como uma eventualidade, e se dói, porque é dolorido demais se sentir solta ao acaso.

Calha que o acaso tem leis imprevisíveis e Isabel, talvez, ainda não tenha conseguido é compreender esse erro. Foi, sim, um erro. Miguel foi o erro da vida de Isabel, o erro trágico de Isabel. Todo herói precisa de erro trágico, Miguel foi o erro cometido para que Isabel se tornasse heroína - e o mérito é todo dela.

O texto acima foi escrito em resposta a um e-mail de um/a leitor/a. Quer contar algo? Pedir um conselho? Conversar? Mande seu e-mail para: papocomjulieta@gmail.com

Forte abraço! <3



Umas pessoas gargalhavam. Outras mexiam em seus celulares pedindo que alguém as buscasse de volta para casa. Ainda outras já haviam desistido de se manterem sóbrias e estavam jogadas pelas paredes do salão. Fim de festa. Música baixinha tocando ao fundo. Tutz tutz tatz. Tutz tutz tatz. Tutz tutz tatz. A melodia repetitiva já não chamava mais a atenção de ninguém. Só uma coisa fazia menos alarde que a música. Sim, coisa, pois apesar de se tratar de um ser humano, se comportava como um objeto inanimado. Ela era uma garota de dezesseis anos. Alta, magra e assustada. Saiu de casa sorrateiramente na noite anterior e, utilizando a sua identidade falsificada, adentrou sem maiores problemas na festa sobre a qual ouviu tantas coisas incríveis.

O nome dela... Bem, não interessa. O que a constituía era bem mais interessante do que o punhado de letras amarrilhadas que ela recebeu de seus progenitores após o nascimento. Ela era uma peça de quebra-cabeça que veio sobrando na caixa. Não havia espaço para encaixar as suas arestas e, para uma jovem tão implume nesse mundo comi-trágico, a solução estaria em algum lugar inexplorado, com pessoas desconhecidas e situações ainda não vividas. Triste notar que a ilusão dissipou-se rapidamente. O local novo, com indivíduos diferentes e experiências inéditas não proporcionou nenhuma epifania que ressignificasse o seu mundo. Era o mesmo de sempre, de novo e de novo e de novo. Vidas vazias balançando ao som de um barulho oco enquanto copos cheios tremiam em suas mãos. Ela observava tudo em seu canto e permaneceu assim durante toda a noite. Agora que a aglomeração começava a diminuir, notou os casais praticando o desabraço e largando as mãos e as costas de suas companhias, pois dizem que se apegar é vício e se envolver é fraqueza. Assim os homens limparam o batom que grudou em suas peles e as mulheres se esforçaram para retirar o perfume que sempre teima em impregnar no pescoço. Provavelmente eles voltariam para as suas vidas cheias de likes e compartilhamentos, já se preparando para repetir o mesmo processo na semana que vem. O DJ desmontava os seus equipamentos e guardava o fone de ouvido que pendia inerte em sua nuca, enquanto os seguranças continuavam se esforçando para manter a cara de poucos amigos, mas o sono já demonstrava fortes sinais de vitória. Só quem se manteve impassível desde que chegou foi a menina.

Ela decidiu que essa fora a sua última tentativa. A nossa garota já havia tentado diversas vezes e o resultado era sempre igual: não havia local no mundo em que ela se sentisse parte, a sensação de despertença era onipresente. A conclusão foi que as pessoas viviam em uma outra sintonia. Ela era AM e o mundo FM. Algo inusitado deveria ser feito para resolver tal choque de emissões. Já que a luz começava a despontar no horizonte, resolveu ir ao trabalho do pai, que na noite anterior aceitou sem desconfianças a desculpa de que ela estava indo dormir na casa de uma amiga, mesmo sabendo que não havia nenhuma. Pegou o elevador até o último andar, onde ficava a sala de seu responsável legal, mas passou direto. Subiu a escada que dava acesso à cobertura e olhou para o céu. O sol já coloria o espaço celeste em tons de laranja. Sempre achou engraçado uma cor com nome de fruta. Aos poucos a noite ia cedendo espaço à claridade e a estrela assumia o trono do cosmos. A menina achou que já era tempo de sua determinados, chegou à beira do edifício e olhou para baixo. Vertigem. Parecia que a resposta para tudo estava lá embaixo. A gravidade a chamava e sussurrava em seu ouvido. Cantava uma canção doce que versava sobre descanso e placidez. O fim das tentativas vãs de ser aquilo em que ela não via sentido ou propósito. Respirou fundo. Olhou para o céu mais uma vez e sentiu pequenas lágrimas despontarem. Ouviu um grito. Não olhou para trás. Não queria saber de quem e nem de onde ele saíra. Fechou os olhos e puxou todo o ar que poderia caber em seu peito.
  


Jessé Lima

Crime e Castigo, página 67




Olá, meu bem. Hoje, por incrível que pareça, eu não vim aqui para perguntar, questionar ou criticar. Veja bem, eu vim explicar e vou começando com um pedido. Meu pedido é: me escreva uma carta. É simples, não demanda grandes esforços. Não vai precisar largar o futebol das quartas feiras para isso. Aliás, não vai precisar largar futebol nenhum:  o das sextas também fica. É claro que investindo todo esse tempo em futebol você, provavelmente, não vai ter muito tempo hábil para assistir toda a filmografia do Woody Allen comigo, mas isso é uma coisa meio minha então tudo bem. Inclusive, você pode usar isso na carta, pode falar sobre a minha paixão incurável pelas artes. Pode me escrever um bilhete pedindo que te conte sobre aquele livro que você não leu. Quer dizer, eu tenho essa coisa toda com as palavras, com a literatura, a linguagem e as linguas mas você não precisa ter. Você não precisa ser bilíngue para me escrever uma carta. Mas se for, pode me escrever em outra língua. Não precisa saber jogar xadrez, aliás, é melhor se não jogarmos jogo algum. Também não precisa saber cantar, tocar algum instrumento e nem ser atleta. Uma carta não precisa de força física e nem de rima: pode ser escrita em um guardanapo de bar, com uma caneta promocional ganhada no banco. 
Então é isso que estou dizendo. Estou respondendo essa pergunta tão recorrente que ecoa em minha cabeça: "o que você espera de mim?". É isso. Tudo que espero, e quero, é que você me escreva uma carta. Muito me interessa e me instiga te ler assim, dessa forma tão exposta que é a palavra escrita. Lendo uma carta sua, eu poderia, quem sabe, conseguir te desvendar - ou descobrir que não há nada em você para ser descoberto. É assim que saberei se fico.
É que, na realidade, todo mundo tem alguma coisa para escrever, todo mundo tem uma razão que te empurra a escrever, pelo menos, uma frase. Se você, por acaso, não tiver nada a escrever; se não tiver nenhum impulso de me dizer alguma coisa; se não tem nada para ser rascunhado em um saco de pão, então, nem venha. 
A carta não precisa ser lírica, barroca, romântica ou bonita. Não precisa rimar e nem brilhar. Não estou, aqui, analisando o que você vai falar, só preciso que fale. Me escreva mesmo que seja para, tortamente, me descrever ou para avisar que não vai aparecer. Mexa-se. Faça com que chegue até mim a inquietação do sentimento que existe em você. É isso: chegue até mim. 

Seja um folheto, um poema, uma frase, um desenho, um rabisco ou uma música. Seja um bilhete, um recado, uma carta ou um adeus. Minha vontade é que exista em você o impulso de quem quer escrever. Quero dizer:  o que mais me interessa é que você tenha a sensibilidade aguçada ao ponto de querer me escrever. Peço que escreva porque se não existe em você a sensibilidade necessária, não existirá, então, estória( nem história) alguma. Estou cansada de escrever amores sozinha, se sentir convidado, entrego a tarefa de começar para você. Antes de tudo, você vai precisar me escrever uma carta. 

Ane Karoline

Sou fã de surpresas, essas que tiram a gente do eixo, nos deixam, felizmente, atordoados por alguns instantes. Gosto do que gera movimento, gera construção, gera progressão. É assim que me ganham. Uma pessoa, um livro, uma música, um evento teatral, um filme: causando algo, por mais interno que seja, em mim. Me movendo. E como eu gosto de movimento! Sendo assim, fiz uma breve lista (porque eu adoro listas) dos livros que mais me desestabilizaram durante o ano de 2015. É claro que os efeitos e as conclusões são, minimamente, diferentes em cada um de nós mas, além de me tirar do eixo, me dar uma sacudida e uns bons tapas, esses livros me fizeram crescer. E, cá entre nós, compartilhar coisas boas deveria ser regra, né? 
Nem todos os livros foram lançados em 2015, mas foi quando tive esse encontro maravilhoso com eles. Não farei resenha dos livros para guardar tudinho para vocês. 

1- Por Elise - Grace Passô
 Depois de assistir a uma adaptação do texto, em um espetáculo teatral, passei mais de um ano procurando esse livro em todas as livrarias em que fui, nem online conseguia encontrá-lo. Com a minha síndrome de Pollyana, acredito que o desencontro tenha sido para que o encontro fosse na hora certa. Ganhei o livro e o li quando mais precisava. 

2- A Paixão segundo G.H. - Clarice Lispector
   Tudo bem. Quem me conhece, ou já acompanha o blog, vai dizer que eu amo Clarice e sou suspeita para falar. Mas esse livro me arrebatou! E eu gostaria muito que o mundo inteirinho o lesse. É um dos livros mais famosos da Clarice e agora é meu queridinho também. 

3- Eu sou Deus -  Pedro Chagas Freitas
    Esse livro foi uma big surpresa. Não conhecia o autor e nunca tinha ouvido falar do livro. Em parceria com a Chiado Editora, recebi esse livro para resenhar e o que eu posso dizer que "Ser feliz é um irrevogável direito!" A resenha do livro está aqui.

4- A graça da coisa - Martha Medeiros
   Apaixonada estou por essa escritora, pela escrita dela. O livro é composto por crônicas sobre trivialidades do cotidiano e é sensacional. Dentre tantas outras coisas aprendi, com esse livro, que "a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue."

5- Feliz por nada - Martha Medeiros
    Escrito no mesmo estilo, e graciosidade, que "A graça da coisa". É um livro repleto de humor e amor. 

6-  Nanquim - Organização Alfer Medeiros
   Sim, publiquei um conto nesse livro. E quão grande foi minha surpresa quando li os outros contos e crônicas do livro. Os contos são todos muito bem amarrados e uma delícia de ler! (Se quiser saber mais, vejo o vídeo em nossa fanpage). 

7- Pó de Lua - Clarice Freire
   O livro mais doce que já li na vida! Confiram, confiram, confiram!

8-   Extraordinário - R.J. Palacio
   Um livro sobre humanidade e gentileza, me ensinou que nada entendo de ser gentil. 

9- Confissões- Paula Pimenta
   Presente de aniversário que me trouxe amor derretido em poemas. Lindíssimo, levíssimo. 

10- Quem é você, Alasca?  - John Green
  A escrita de Green é encantadora. Li todas as suas estórias publicadas e me encantei com todas. Dessa vez não foi diferente, afinal, quem somos?

Agradeço a todos esses autores e escritores que me ajudaram a escrever meu ano de 2015. E aconselho vocês a lê-los. Vamos, lá?