Quando escutei aquela estória de que "quem soltar o elástico primeiro machuca o outro" encontrei a resposta: você soltou o elástico. Eu puxei muito, não foi? É que achei que puxando tanto o elástico que existia entre nós, e nos mantinha ligados, conseguiria aproximá-lo de mim. Mas você resistiu, ficou paradinho lá no seu altar, e até o amor tem um limite: a gente puxa, puxa, puxa, mas ele acaba. O amor é forte e corajoso, mas não resiste ao desamor.
   Enfrentei mares e marés, ventos e tempestades na minha cegueira: não ouvi -e nem quis ouvir- seus sinais que gritavam a sua não profundidade. Você tentou me dizer quando, por exemplo, nem se dispôs a dançar comigo. Afinal, o amor, a paixão e a vida são uma dança. Você não quis dançar comigo.
   Então, o resto você sabe: você soltou o elástico e eu caí. Eu sei o que parece: depois da queda, parece que fiquei lá, parada como quem espera. Para um espectador, soava tragicômica a imagem: estática, afogada num emaranhado de nós -que você me deixou de herança- esperando, com meu abraço quente, você voltar. E pior, enquanto lutei com cada mísero nózinho que você atou em mim soava, ainda, como se estivesse remendando aquele nó principal que nos uniu - e não dizem que o amor não cria nós, cria laços? Mas não. Enquanto desatava os nós, fiquei quieta para ouvir: ouvir a vida e, aí, eu aprendi que a gente acha que pode ressignificar uma história mas não pode. Ela continua lá: escrita do jeitinho que aconteceu. Mesma história. Mesmos personagens. Mesmos erros e mesmos acertos. Marcada a ferro na pele da gente. E com tantas marcas, eu não pude mais lutar por nós, eu precisei lutar por mim. Decidi lutar por mim antes que me perdesse, afinal, ninguém o faria.
   E dessa vez fechei a porta. Fechei a porta e joguei a chave de uma ponte: deixar que o destino e as águas a carreguem para onde ela tiver de ir. Já tracei outro caminho, outros ares, mas não me segue porque eu estou perdida: vou sem mapa e sem pretensão para voltar. E, no fim, podemos concordar que não foi nem desistir: é que não tinha mais o que largar. Os laços nunca existiram e os nós sempre estiveram desatados, não é?


Ane Karoline

     
     Nunca fui perita em estações do ano, clima e nem nada desse tipo. Em termos convencionais, as estações do ano são primavera, verão, outono e inverno; cada uma delas com características particulares. Há quem goste mais do Sol, há quem goste mais do frio e há os insatisfeitos. E, pelo que sei, desde que o mundo é mundo não há muito o que possamos fazer para modificar o clima: não existe um pó mágico que a gente possa jogar no ar para fazer o Sol aparecer naquele dia que a gente quer ir nadar, ou uma sementinha que faça chover quando a gente quer dormir e o calor não deixa. Mas podemos lidar com isso. 
    A minha personalidade perceptiva,por exemplo, faz meu corpo físico sofrer no frio: não gosto de frio. Mas sei que sem os dias frios eu não apreciaria tanto o Sol. Ou seja: por mais que, em minha opinião, deveria existir uma lei que decretasse feriado (remunerado) em todos os dias frios, eu escolhi acreditar que estes são necessários e tiro proveito deles, assim, o incômodo fica bem pequenininho.