Filhos de uma terra nova, recém descoberta, fértil, viva. Uma terra grande, com uma cor em cada canto - cheia de cantos e encantos. Terra essa que, de tão viva, é cobiçada. Tão viva que é maltratada. Somos nós, filhos dessa terra, Brasil. No entanto, filhos que pouco sabem sobre a história dessa terra: gente que carrega nas veias o sangue de quem nem imagina; gente que pisa no chão banhando de sangue de quem construiu o país. Sou eu também gente dessa gente: sem memória. Não foi minha carne que sentiu, não vi, não sei. Mas não fujo desse papel, pego minha carapuça e ela me serve direitinho: a história do meu país eu tenho que saber; nossa história não começa quando a gente nasce, começa muito antes.

Assim, caminhando com força atrás de pertencimento e entendimento a respeito do passado e do atual cenário político/econômico do Brasil - e do mundo- foi que tive a sorte de encontrar autores que me ajudaram, seguem ajudando. Com muito carinho, separei 5 dos melhores romances sobre ditadura e política que li até o momento. São livros que mostram um dos papeis essenciais da literatura: gritar os fatos, denunciar. São livros carregados de sensibilidade e verdade. 

    1. As meninas - Lygia Fagundes Telles
Um dos livros mais bem escritos que já tive a sorte de conhecer, Telles é uma autora muito sensível e cuidadosa com as palavras. É um romance sobre três jovens amigas que vivem em um pensionato mas que, ao mesmo tempo, vai muito além disso: engloba política, moral, questões filósoficas humanas e muita sensibilidade. Além disso, é um livro que se passa em cenário brasileiro. 
 
    2. K. Relato de uma busca - Bernardo Kucinski 
Literalmente: o relato de uma busca. Um irmão que conta a história de um pai a procura da filha - desaparecida política no período da ditadura no Brasil. Ana Rosa Kucinski era professora do departamento de química da USP, reconhecida como vítima da ditadura pela recente comissão nacional da verdade. É uma história dentro da história do Brasil contada de forma muito bonita. 

    3. Sombras de reis barburdos - José J. Veiga
Dentre as diversas formas existentes de contar uma história, Veiga escolheu uma distopia: usa todas as metáforas possíveis para contar o que aconteceu e acontece diante dos nossos olhos diariamente. O livro é narrado em primeira pessoa e é um livro de memórias do personagem Lucas - escrito a pedido de sua mãe. 

   4. Brasil nunca mais - Paulo Evaristo Arns
Um relatório completo, resultado do esforço de mais de 30 brasileiros que se dedicaram durante quase seis anos a rever a história do período ditatorial no país, reescrevendo-a a partir das denúncias feitas em juízo por opositores do regime de 64, bem como o livro publicado pela Editora Vozes, tiveram papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar e desvelaram as perseguições, os assassinatos, os desaparecimentos e as torturas; atos praticados nas delegacias, unidades militares e locais clandestinos mantidos pelo aparelho repressivo no Brasil.

    5. Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva
Mais um lar em que falta alguém, dessa vez é pai: Rubens Paiva, deputado perseguido e assassinado pela ditadura militar brasileira. Quem conta a história é o filho, Marcelo Rubens Paiva, que faz questão de relatar as lutas passadas pela família e, sobretudo, o papel primordial da mãe - agora com alzhaimer. Apesar de ser primordialmente uma biografia, o relato de algo que realmente aconteceu, o romance não é de forma alguma enfadonho; é sensível e muito esclarecedor. 

E então, vamos ler? 

Com amor, 
Ane Karoline