Estive pensando sobre o que nos prende/puxa para trás... É incrível a capacidade de efeito dominó que a vida tem: basta uma coisa ir mal para todas as outras começarem a sair do eixo. É claro que não há como ignorar o fato de que todas as linhas de nossas vidas são totalmente entrelaçadas: se a gente molhar a página de um livro dificilmente não molharemos todas as outras. Mas, venhamos e convenhamos, que boa parte desses desastres em série acontecem pela nossa imensurável capacidade de exagerar tanto nas tristezas.

   Como ser humano - e dos mais melancolicamente sentimentais- eu também tenho essa tendência a dar uma exagerada no lado negativo: tropecei numa pedra, começo a reclamar tanto que acabo caindo, feito uma jaca madura, no chão. Mas se acontece algo bom, não consigo admitir e fico procurando, inconscientemente, algo para manchar a alegria: nada é tão bom assim. Até mesmo as nossas conquistas nunca são suficientes, somos educados para nunca estarmos satisfeitos com nós mesmos: é assim que a gente acaba acreditando que precisamos nos preencher e saímos por aí em busca de algo/alguém que nos complete. 
   Graças ao meu professor de português, aos quatorze anos, tive a felicidade de ler Clarice Lispector e foi ela quem me disse: deve-se viver apesar de. É isso: a gente tem que seguir sempre em frente, sempre remando, não importa o quão ruim a tempestade esteja o barco não vai virar se a gente acreditar na força que tem. 
   Quando me coloquei, espontaneamente, no desafio de permanecer feliz por cem dias seguidos (acompanhe aqui) eu não esperei que a felicidade caísse do céu, de paraquedas, na minha cabeça, mas me dispus a encontrá-la. E no oitavo dia do desafio eu tenho percebido que a disposição é que constrói nossas conquistas e vivo as palavras de Clarice: é tolice fechar a janela pela qual a felicidade está tentando entrar só porque as outras portas estão sujas demais para isso. A verdade é que a gente tem que parar de puxar o nosso próprio tapete. 

Ane Karoline



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