Fonte: Tumblr
Eu caminho em silêncio, sem sorrisos no rosto
Mantenho poucos amigos, me abro para menos ainda
Eu não procuro o amor, espero que ele em encontre
Eu não sorrio à toa, guardo sorrisos para momentos valiosos
Não derramo lágrimas facilmente, mas transbordo quando preciso
Eu não sou do tipo que toca, mas anseio pelo toque das pessoas certas
Eu não inicio conversas com frequência, pois prefiro conversar com os olhos
Eu não espalho os segredos de ninguém, mas não conto a ninguém os meus
Não sou do tipo que dança em público, mas rodopio pelo quarto quando estou só
Não memorizo a letra de todas as músicas, mas relaciono-as a momentos e pessoas
Eu, que de tanto me querer pouco, acabei me apaixonando por mim mesmo
E hoje eu sou auto suficiente, enfrento a maré e a enchente
Hoje aprecio a minha companhia, com um pouco de chocolate e um bom filme
Eu tenho meus hábitos e rituais, mas vez ou outra me permito agir por impulso
Quando fecho os olhos antes de dormir, não há ninguém em minha mente
Apenas as personagens do mundo que criei, para fugir da minha própria realidade
Meu alento é a escuridão, meu conforto meu edredom
Minha trilha sonora é a chuva e cheiro do incenso que queimei mais cedo
Meu gosto é eletricidade, intensidade e calor
E meus olhos são tão profundos que dá para confundir com o céu escuro
Há muito mais sobre mim do que o exterior que pode ser visto a olho nu
Mas cabe a mim decidir com quem compartilhar
Pois a minha alegria é o meu bem estar,
E isso, ninguém vai me tirar.


-Adolfo Rodrigues

O Sol é Para Todos, um clássico da literatura norte-americana, foi publicado pela primeira vez em 1960 e desde então vem encantando e emocionando leitores de todo o mundo. Nessas páginas encontramos a história de Scout, uma garotinha que vive no condado de Maycomb, uma pequena vila do Sul dos Estados Unidos. Com o seu olhar inocente e curioso sobre tudo que a cerca, ela nos conta sobre as aventuras com seu irmão, Jem, e o seu pai, Atticus. Scout sempre está querendo ver e saber de tudo que acontece na pequena cidade. Isso se intensifica quando Dill, o sobrinho de uma das senhoras que moram em Maycomb, chega à cidade durante as férias e torna-se o seu melhor amigo. Juntos com Jem, eles elegem a vida e a casa de Boo Radley, o homem mais recluso da cidade, como a maior preocupação de suas férias: eles querem fazê-lo sair para finalmente vê-los, pois desde quando nasceram ele não bota a cara para fora da janela.

Em meio a tantas peripécias infantis, brigas e chamegos com a cozinheira da casa, Calpúrnia, Scout vê a vida de sua família mudar drasticamente quando o seu pai, um dos principais advogados da cidade, aceita defender um negro nos tribunais que estava sendo acusado injustamente. Em um Sul dos Estados Unidos pós-guerra civil que nunca aceitou a derrota e que mantém o racismo institucionalizado como uma da bases da vida comum, ver um branco defendendo um negro contra uma acusação de outros brancos faz toda (ou quase toda) a cidade se virar contra Atticus e seus filhos. Na escola, torna-se comum as perseguições contra Scout e Jem, que se vêem obrigados a aprender na marra sobre uma das facetas mais terríveis do ser humano: o preconceito racial.

Scout, com seu olhar de criança arteira, vê se desenrolar diante de seus olhos injustiças tamanhas que, até mesmo com sua pouca idade, percebe como extremamente escandalosas. A partir daí, a todo momento ela se questiona como as pessoas conseguem ser tão horríveis com uma pessoa e ao mesmo tempo seguirem suas vidas normais, sem nunca questionarem a si mesmas a cerca de suas maldades  (é possível relacionar isso tudo com a 'banalização do mal', termo da filósofa Hannah Arendt). Aos poucos, ela vai percebendo a maldade e a hipocrisia que muitas vezes desponta nos seres humanos.

Com uma prosa ao mesmo tempo suave e forte, O Sol é Para Todos nos convida a, a partir dos olhos de uma criança, refletir sobre a vida comum e os seus absurdos, mas também as suas belezas. Scout nos guia por uma sociedade totalmente racista que, baseados em uma falsa ideia de supremacia, transforma a vida dos negros em um inferno. No entanto, ela também vivencia e se sensibiliza com momentos de raro encanto, como no episódio em que visita a igreja dos negros com a empregada de sua casa, Calpúrnia. Aliás, esta personagem, faça-se justiça, é uma das mais importantes para mostrar a Jem e Scout que a cor da pele não torna ninguém melhor ou pior, e a sua presença na casa tem o peso de uma mãe para as crianças. Talvez por isso Atticus sempre tenha feito tanta questão de que ela permanecesse trabalhando com eles.

Entre espasmos de ódio e lágrimas de ternura, a leitura desse livro nos desperta para a inocência humana que trata a todos igualmente e luta por justiça. Com personagens tão humanos que chegam a doer, o enredo se desenrola e nos envolve na vida cotidiana desses adultos e crianças que, mesmo em meio aos maiores contratempos, nos ensinam que sempre é tempo de ser gentil.

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17:35 e o trânsito no pico. Buzinas para todos os lados e eu fantasiando um convite qualquer, um convite que envolva alguma das minhas músicas favoritas, ou que envolva um café com gim, ou que envolva um jazz com uma boa conversa, ou que envolva alguém. O sol queimando minha bochecha direita e eu fantasiando um convite que me envolva. Confiro o celular 9, 10, 11 vezes: nada. Eu também poderia convidar, mas ah... Todo mundo longe, deixa pra lá. Acabo ligando para mamãe, ela pergunta se estou bem e diz que me ama. Mamãe me ama do jeito dela de amar: me cuida, torce por mim e me dá suporte, ela me suporta muito. Eu aprendi a amar assim: suportando e dando suporte para as pessoas. O complicado é que, agora, inventei de descobrir o indescobrível: o amor não é feito só de tudo suportar. 

Vô, e aí, o que eu faço agora? Não sei se daí, de onde você está, dá para ficar lembrando as coisas, mas eu espero que se lembre do dia em que me disse "Karol, a vida vai te ensinar a amar". Lembra? Pois bem, acontece que a vida me ensinou errado. 

Ok, vamos tentar relembrar: tudo crê, tudo espera, tudo suporta, tudo... O quê mais? Eu creio, eu espero e eu suporto que é uma beleza, mas meu coração ainda tem espaço vazio. E aí? Alguém explica? Ai, ai, ai, meu coração, Vô. Eu vivi até agora achando que poderia amar a todos com o mesmo amor que amo a mamãe: amor suporte. Acontece é que mamãe não vai me aparecer às dez da noite com uma rosa em uma mão, me arrastando pela outra, me chamando para um jazz, para um blues, para um rock, para o raio que se parta em uma noite de lua cheia. Esse não é o tipo de amor dela e o  amor dela não é a única cara que o amor tem, só percebo isso agora. 

Só agora, só hoje me bateu à testa: o amor tem várias caras, e não foi a vida que me ensinou, Vô.  Fui eu mesma, enquanto comprava morangos. Estava comprando morangos, vi que todas as bandejas têm, pelo menos, um morango mofado. Eu amo morangos, mas estou farta de morangos mofados, estou farta desse verde doentio, guardado no fundo de alguma gaveta.  Não fui capaz de comprá-los, apesar de sempre tê-los aceitado assim: um ou dois mofados na bandeja, nunca inteira. Mas, não, agora cansei. Agora quero a outra cara do amor, mesmo do amor que tenho por morangos: o amor que, às vezes, não quer suportar tudo, quer ser suportado; o amor que, vez ou outra, não crê tudo, mas quer garantia, quer cena, quer grito de amor, quer desespero devocional; o amor que, nem sempre, quer esperar tudo, às vezes, quer tudo na hora, quer ser surpreendido de supetão, quer ser arrebatado. 

Eu respiro 15, 20 vezes e o mantra continua na minha mente: eu não vi tudo ainda, mas por quê? Eu quero ver tudo! Quero ver essa cara do amor, essa que aparece gentilmente e intensamente, um amor gentil e intenso, Vô, a vida não mostra para gente, é a gente que mostra para ela. É a gente que tem que segurar a mão do amor e sair correndo desvairadamente, sem medo. Sem medo de acabar amanhã, sem medo de falar o que não devia, sem medo de perder, sem vontade de ganhar, só sair correndo e o vento no rosto, e nada no bolso, e o amor do lado, e a gente ofegante, nada de respirar baixinho: respira alto! É para o mundo inteiro ouvir, os trancos e os barrancos, as borboletas mortas e os cachorros surdos: um amor gritado, ofegante, doido para viver, doido para existir, doido para envolver, doido. Nada de ser lento, nada de cautela, amor também pode ser desvairadamente cuidadoso: rápido, intenso, forte e inesgotável antes que esgote. O amor tem essa cara também, essa cara maratonista que não precisa de pausa. 

Nada disso a vida te conta, Vô. A vida te atropela, mas te quer parado esperando como um morango que passou do ponto: fica ali esperando, esperando, esperando e nada. Então, deixa eu te contar que o amor não é só essa paciência toda, Vô, se a gente só espera e suporta, a gente mofa inteirinho por dentro, fica mole. Verde e inacabado, mas podre. 

Ane Karoline 

Fotografia com baixa velocidade (com câmera estabilizada)
imagem: pinterest

Pensei que seria diferente. O mundo todo girando, seguindo em uma corrida desenfreada em marcha ré, e eu parada, tentando. Eu quero andar para frente. Eu tento tanto, mas minhas pernas são pequenas e eu juro que estou correndo e eu vou enfrentar o mundo todo que vem trotando em marcha ré. A última parte sã da minha cabeça gira e entoa como ciranda: 

What the hell were you thinking? 
What the hell? 
What? 
The hell.
Eu pensei que seria diferente, respondo. 

Alguém me disse um dia que uma menina morreu enforcada com os próprios cabelos, com os próprios sonhos, consigo mesma. Eu fico sem ar, cadê meu fôlego? Eu acordo todos os dias às 3h da manhã para ver se meu cabelo está preso. Todas as noites na hora das bruxas, dos diabos. Eu pequenininha já pensava: eu não posso morrer, tenho que ajudar a mamãe. Uma criança pequenininha já pensa esse tipo de coisa. Eu, miúda, pensava que cresceria e seria grande, imensa, pensava que seria diferente. Pensei que não teria mais pesadelos com aquele dia: a gente indo visitar o vovô e alguém ataca o ônibus. Meu cabelo cheio de caquinhos de vidro, a mamãe passando pente fino e repetindo que eu não tinha nenhum arranhãozinho. Nada. Eu tinha só oito anos e o fôlego falta ainda hoje para contar. Eu tinha só oito. Com oito anos e os pezinhos sangrando, um monte de caquinhos de vidro verde no chão, era vidro de guaraná Kuat, e os pezinhos correndo para pedir ajuda. Eu sem fôlego ainda hoje, acredita? A professora me encarava e reclamava de não ter ido à aula e eu chorava sem lágrimas para dizer que minha décima andorinha tinha morrido. Tudo mentira. Aprendi logo: tudo é mentira. Eu nunca nem tive uma andorinha, é claro, mas queria ser livre como uma. 
peito 
pesa
e eu fico sem ar.

O negócio é que os pezinhos doíam. Meu deus! A professora não deixava tirar as galochas: não pode. Eu pensei que quando passasse mil horas, mil dias, mil semanas... Eu pensei que seria diferente. Eu pensava: quando eu crescer. 
Talvez eu ainda não tenha crescido tudo, será?
Eu ando muito é por isso: para ver se cresço. E crescer dói tanto, meu bem. Eu cresço e, ainda assim, a lama me vem até o pescoço. E eu entendendo tudo. E eu vendo tudo. Eu vendo tudo para não ter que ver mais o cachorro enlameado de ferrugem. 
Eu pensei que seria diferente.
Eu pensei que o mundo caminhava para frente.
Agora vejo: o mundo todo em marcha ré, a onda de gente, de lama, de bicho, de planta, tudo descendo a ladeira. Desmoronando. E eu tentando subir. Eu tentando correr para frente. Vamos!

50
anos
em 
5.
O sofrimento de cinquenta anos em vinte-e-cinco. 

Eu pensei que seria diferente. Seis anos para me emprestarem a tal beca preta por dez minutos, tudo preto, meus olhos lá vidrados e eu sem ver ninguém. Mesmo assim, eu juro para você, eu apostei tudo em nós. Em todos nós. Em todos os nós que achei que poderia desatar. Eu apostei tudo que eu tinha: eu mesma. Let's go, guys, can you, please, 
listen?
Eu tento tanto... Será que tento pouco? Try harder...
Cadê meu fôlego? Me solta! Eu preciso de ar. 
Eu preciso correr porque eu pensei que seria diferente e não é possível que não seja. Nada é possível. Vou ao cinema de novo, então, já que é assim. Vou ao cinema de novo e não é possível que eu não sinta nada. Pega a minha mão, vai, faz com que eu sinta alguma coisa. Faz com que eu sinta dor, pelo menos. Vai embora de novo e me deixa aqui sozinha para que eu sinta aquele choque no peito. Alguém tá ouvindo meu coração ainda? Ele tá batendo tão forte mas tão lento, ele não aguenta tanta força. 
What the hell were you thinking, afinal de contas?
Achou que daria conta?
É que eu pensei que seria diferente e foi por isso que fiz tudo que fiz: vai valer a pena, vai ser diferente, eu vou passar mais tempo com meus pais, vou passar mais tempo com minha melhor amiga que se casou anteontem e não me convidou. 
Silêncio. 
E minha cabeça, meu bem? Minha cabeça ainda está no lugar dela em cima do pescoço? Olha aí para mim que eu não quero passar por doida. Olha aí pra mim. Olha. Ok, guys, expressões idiomáticas: what the hell were you thinking? Diferente... Mas diferente de quê, meu Deus do céu? Eu falei com Ele, eu queria jogar na cara D'Ele: eu pensei que ia ser diferente! Pai nosso que estais no céu... E Ele? Calado. Deus calado. Tá me ouvindo? Ele só me olha, mas calado. Antigamente Ele sussurrava, hoje não. Desde o dia em que Ele ficou calado, eu fiquei também. Não sei mais falar nada, não fale comigo. Se ficar difícil demais de mentir, eu só vou dizer: uô ren rai, estou bem, em chinês. Quem foi que me ensinou isso? Quem foi que me deu essa cabeça imensa que pensa tanto? Que pesa tanto? What were you thinking back then? Eu sei que eu pensei que seria diferente e foi por isso que caminhei com pés sangrentos até aqui. 
Mas e se não for?
Eu não sei. 

Ane Karoline

Fonte: Google
Não me lembro onde ou quando começou
Quando menos esperava você chegou
Nos meus vazios escuros se aconchegou
E minha vida transformou

O sentimento era o de que sempre esteve ao meu lado
Como se a nossa amizade não tivesse começado
Mas como se um longo espaço de tempo tivesse passado
E agora tudo tivesse reiniciado

Ter você ao meu lado me parece certo
Como se tudo antes de você fosse incerto
E agora todos os dias me deixam boquiaberto
Você me resgatou do meu próprio deserto

Isso me levou ao costume
Desde o seu sorriso até o seu perfume
E depois de um longo tempo até que me acostume
Você vai embora e me pede que desacostume

Nada mais me parece igual
Viver sem você me parece uma vida conceitual
Uma em que nada é feito de forma espontânea ou natural
Pois continuo procurando o mais ínfimo sinal

Sei que não há chance de você voltar
E a mim não adianta me revoltar
O que quer que isso resultar
Só o que posso fazer é me conformar

Pois a sua mão eu tive de soltar
E uma nova era está para começar...

-Adolfo Rodrigues

imagem: Instagram

Sempre considerei a História uma ferramenta indispensável para a vivência humana plena, mas agora, mais do que nunca vejo como ela se faz necessária. Quanto mais se sabe sobre o que já aconteceu, mais progressivamente é possível caminhar. Entretanto, nem todo mundo gosta de estudar História, né? Por isso, resolvi discuti-la de uma forma diferente: através da literatura. 

Desta forma, como as guerras, em especial a segunda guerra mundial, me são de grande interesse no que tange a tentar compreender como se estabeleceram, decidi trazer a indicação de três livros que tratam de histórias reais de pessoas reais que estiveram na Segunda Gerra Mundial. Vamos conferir?

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1. O diário de Anne Frank - Anne Frank
Lembro-me de estar cursando o quinto ano quando a professora de língua portuguesa nos entregou um texto confuso, repleto de onomatopeias, e disse que era um trecho do Diário de Anne Frank. De início, me interessei pelo livro porque todos os meus colegas brincavam dizendo que era o meu diário. Anos depois eu, finalmente, puder o livro. 

O livro é exatamente o que o título diz ser: o diário real de Annelies Marie Frank, ma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto (entenda melhor o Holocausto AQUI). O diário foi escrito de 12 de junho de 1942 até 1º de agosto de 1944, sem nenhuma intenção de ser publicado. Em 1944 o governo holandês esteve buscando testemunha oculares da guerra e, após não ter mais dúvidas de que a filha estava morta, o pai dela único sobrevivente da família, Otto Frank, deu o diário para o governo sem lê-lo. 

A estrutura do livro é a de diário, tudo foi mantido como Anne escreveu: datado. Anne relata a rotina de sua família e seus jovens anseios, ela destaca em especial as mudanças e opressões sofridas após a ascensão nazista ao poder. Para quem quer saber mais sobre a guerra a partir do olhar mais sensível de uma pessoa em especial, esse é o livro ideal. 

2. As últimas testemunhas: crianças na segunda guerra mundial - Svetlana Aleksiévitch
Assim que abri o pacote com esse livro e vi a capa, soube que ia gostar. Comecei a lê-lo em uma semana muito difícil em que eu estava extremamente doente e acabei tendo que colocá-lo de lado. Assim, terminei semana passada.

Por mais que eu tenha estudado sobre a guerra, sobre o Holocausto, sobre o nazismo, sobre regimes totalitários, a leitura desse livro foi um soco no estômago. Doeu, doeu, doeu cada página, cada linha, cada narrativa, cada pedacinho de mim. Entretanto, se eu soubesse previamente todas as lágrimas que me causaria, ainda assim leria, precisamos fazer algo acerca da crueldade humana, mesmo que a única coisa possível seja conhecê-la e torná-la pública.

O livro é composto de relatos de pessoas russas que eram crianças na época da guerra, cada relato contém o nome, a idade da pessoa na época da guerra e a profissão atual. Algumas pessoas eram de famílias judias, outras não, mas todas relatam em uníssono: viram e viveram coisas que não deveriam acontecer a nenhum ser humano. Elas relatam como suas famílias foram dizimadas, como elas sobreviveram comendo até mesmo barro e, sobretudo, como é doloroso ainda lembrar de tudo. É livro muito denso, mas necessário. O trabalho de Aleksiévitch, além de ter uma impecável estética literária, é um patrimônio histórico e jornalístico incontestável.

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3. Maus: A história de um sobrevivente - Art Spiegelman
Como alguma coisa pode ser, ao mesmo tempo, leve e pesada? Eu digo: um livro em quadrinhos sobre guerra. Esse livro, que foi indicação da minha amiga do blog Oi da Lari,  eu li exatamente no mesmo dia em que terminei o livro anteriormente mencionado.

O fato é que eu, após a infância (quando eu lia os gibis da turma da mônica), nunca fui muito de ler história em quadrinhos. Entretanto, todas as que li foram indicações de amigos e me agradaram bastante; não foi diferente com Maus. 

Art conta a história de seus pais, judeus, durante o holocausto de uma forma extremamente convidativa: ele mostra como seu pai o contou a história e, ainda, como seu pai tem uma personalidade difícil.  É muito interessante como Art conta toda a história sem idealizações: seu pai foi, sim, vítima do holocausto, mas não é retratado como herói por isso. Os quadrinho me ensinaram muito sobre a guerra e, sobretudo, sobre o holocausto.

com amor, 
Ane Karoline


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Mesmo que eu possa correr da solidão, é impossível que ela não acabe me alcançando. Mesmo que eu possa me distrair, ela me encontra nos momentos antes de pegar no sono. Durante o dia, ela se esconde, largada nos cantos dos lugares onde vou. Hora oculta atrás de uma planta, hora espiando do topo do armário. O fato é, que ela está sempre comigo, à espreita do momento certo para largar-se em meu colo e pesar seu peso no meu coração.
Há os que pensam que solidão significa estar sozinho. Estão redondamente enganados, pois, é possível ser solitário em meio a uma multidão. É possível ser solitário em uma conversa onde o foco é apenas o outro, e nós somos apenas acessório. É possível ser solitário em uma relação em que apenas uma das partes está interessada em continuar. É possível ser solitário em uma família que não faz esforço para te entender.
Há todo o tipo de solidão no mundo, e algumas pessoas são afetadas por mais de um tipo. Uma das solidões que mais dói, é a do silêncio. Seja o silêncio de quem não te procura, ou o daquele que não responde à sua procura. E o silêncio não fala, ele grita.
O silêncio grita, que você não é bom o bastante sequer para receber uma resposta. O silêncio grita, que qualquer coisa é desculpa para que ele se prolongue. O silêncio, alimenta a solidão. É irmão do isolamento, da indolência, da dormência, que se arrastam pelo nosso corpo. O silêncio e a solidão, e todos os seus irmãos, são sombras geladas, que se espalham ao nosso redor, como teias de aranhas, sombras pontiagudas com galhos nodosos e água fria que nos envolve.
A solidão, oculta por máscaras das gargalhadas, presenças em festas e eventos, logo não cabe mais atrás do sorriso amarelo que diz "Está tudo bem", mesmo quando nosso mundo treme como se afetado por um terremoto. Quando nosso mundo está debaixo de uma chuva constante, um frio excruciante, e uma fome de afeto fora do normal.
Aos poucos ela cria raízes tão profundas, que se torna difícil de arrancar. Se alastra, cresce e floresce e quando menos se espera, dá frutos. Mas são frutos podres, que vem em forma de dor, estresse, ansiedade, tristeza e depressão. As vozes constantes fazendo perguntas das quais não queremos obter as respostas. 
Tomara que eu não seja alvo, dessa tal solidão, pois, sinto que cada dia que passa, meu mundo é mais e mais...SILENCIOSO.

- Adolfo Rodrigues