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Deitado de barriga para cima, mais uma vez sem sono, sem vontade de dormir, sentindo minhas costas já afundando no colchão pelo longo tempo na mesma posição, mas sem vontade de me virar para o lado. Sabia que se me virasse para o lado, os óculos iriam ficar naquela posição desconfortável e, então, eu os tiraria, fecharia os olhos na vã tentativa de dormir. Depois desistiria, abriria os olhos e ficaria olhando o teto sem vê-lo. Essa história de olhar sem ver é coisa dela também, ela deve ter me rogado uma praga, pedido para os anjos para que essas frases de efeito ficassem rondando minha cabeça – vai saber, ela era meio mística, meio tudo. Frequentemente isso se repete, quando eu estou mais cansado e com raiva; ela me vem quando eu estou fraco; é como se meu cérebro soubesse que quando forte, não preciso dela.

Percebi, mais uma vez, que não dormiria e, remotamente, pensei em ler um livro. Ler alguma coisa, que fosse. Ri de mim mesmo: eu nem gosto de ler. Ela deveria estar lá, lendo às pampas e conhecendo palavras melhores que “às pampas”. Olhei a tela do celular: 23:57. Ela deveria estar dormindo, será? Será quem tem aula cedo? Pensei ter visto em algum lugar, ou alguém me falou que sim: ela tem que acordar cedo às segundas. Devo ter visto em algum lugar, ninguém me falou não, eu não falo dela com ninguém, eu não falo dela para ninguém. Os poucos que sabem, nem me perguntam mais... Já tem o quê? Cinco, seis anos? Espero que em mais cinco, ela suma. Evapore da minha cabeça como minha paciência evaporava com ela. O único amigo que fala nela é sempre para me deixar puto de raiva, é sempre para me dizer que eu ainda gosto dela. Nunca gostei, eu respondo. E não minto, não sei mesmo se gostei, por isso não sigo o conselho do Maurício e não vou falar com ela, se eu for falar, ela vai querer certezas, vai se negar a ficar com alguém em dúvida. Que raiva que eu tenho disso. O que eu vi no shopping não parecia uma certeza, não parecia um para sempre, não parecia porcaria nenhuma; mas se for comigo, ela quer certeza, quer me atormentar com perguntas para as quais eu não tenho as repostas.

Afora a insônia e essa indignação que me gerou o fato de tê-la visto, mal nenhum ela me fez, o mal dela é amar, aliás, o tal jeito dela de amar. Ama e acha que a gente tem que amar de volta, que a gente tem que gritar isso na rua, tem que apresentar para os conhecidos. A desgraça que seria se eu levasse ela em casa... Isso ela não vê, nunca viu. Na primeira piada machista do meu pai ela ia fazer o quê? Revidar? Quando minha mãe deixasse de jantar com a gente para lavar as louças ela ia responder o quê? Um discurso? Evito esse tipo de coisa. Quando eu pensava, quando eu penso – porque eu ainda penso – em trazê-la em casa, pensava no trampo que ia ser para termos, pelo menos, um segundo de paz no meu quarto, sem ninguém para encher o saco; antes disso ia ter que atravessar meio mundo de gente e eu pisando em ovos por causa das opiniões fortes dela. Quer opinar em tudo também, inferno. Tá, eu também gosto de ter minha opinião, mas não fico gritando por aí, levantando bandeira de tudo quanto é porcaria o tempo todo. Pronto, conseguiu me estressar mesmo sem estar aqui. Só em lembrar, já me dá raiva de tudo: raiva porque eu ainda moro com meus pais, porque ela é difícil de lidar, porque eu fico calado, por tudo, raiva de tudo; agora fico me perguntando porque já passa da meia noite e continuo pensando essas porcarias. Tem gente babaca, como o Maurício , que diz que depois do que eu vi ontem estou triste. Engoli em seco? Sim. Achei esquisito e tudo, mas triste não estou, não sinto nada. Triste é quem perde parente em acidente de carro, triste é quem descobre que o padrinho morreu, triste é quem tem câncer. Eu fiquei triste quando achei que ela tivesse câncer – o que foi o primeiro motivo pelo qual eu meti o pé e saí fora pela primeira vez – porque ela reclamava de dores de cabeça, tinha espasmos. Com dezessete anos, como eu ia lidar com espasmos? Não deu. As dores de cabeça dela deveriam ser eu porque agora ela, pelo que sei, não as tem mais; ontem ela ria e não parecia ter dor de cabeça nenhuma. Não perguntei nada para ela, mas eu sondo; é melhor assim, ser sombra que presença.

Sombras somos os dois: ela, com aquele jeitinho, e eu. Ela nem me viu, eu acho, mas parece que ascendeu a porra de uma dinamite no meu cérebro, uma dinamite que está para explodir; dois dias sondando, pensando, repensando. Escuto uma música, lembro; vejo um negócio aqui, outro ali, eu lembro dela. Eu nem gosto dela, tenho certeza disso. Se me chega alguém e me oferece um trocado qualquer: ela ou o dinheiro? Eu escolho o dinheiro! Por que é, então, que ela fica fazendo aparições na minha mente, surgindo quando estou distraído, em flashes que se repetem mais que a música hit do carnaval? Nem para isso ela serviu, nem para ser carnavalesca, nem para ser uma desgraçada que gosta das coisas que eu não gosto, nem para ser uma ordinária que age de um jeito que dá nojo, que assim eu tomaria logo ódio e não teria essas epifanias esporádicas. Se é que já não tenho ódio, talvez essa obsessão seja ódio por ela ter estragado tudo; aparecendo com aquele jeito de “quero te conhecer”, assistindo minhas coisas preferidas, cantando as músicas da banda que eu gosto nos tons mais agudos que eu já escutei, um tom capaz de penetrar minha mente e me atormentar.

02:23 e eu acordado ainda, se é que a cólera deixa alguém realmente acordado. É certo que alguma coisa despertou em mim nos últimos dois dias, alguma coisa que me diz para acabar logo com isso. Escuto o barulho abafado de alguém abrindo a torneira do banheiro, encaro o teto como que assombrado, mas assombrado por dentro, o fantasma dela me persegue e não me deixa seguir em frente. Ainda hoje, mesmo sei lá quantos mil dias depois, lembro de como ela fazia um beijo parecer uma coisa importante; parecer um momento especial, e isso me assombra. Essas importâncias ridículas me perturbam como se me cobrassem alguma coisa que eu sei que não devo a ninguém. Será que sei? Ela tem esses misticismos, eu não. Eu sempre planejei as coisas pensando na realidade, sem especulações fantasiosas, sem pseudociências, sem sentimentalismo irracional; e, ainda assim, fiquei atazanado quando ela não me mandou um “feliz aniversário” esse ano. É por isso que tem algo errado, o fantasma de alguém que não significa nada para mim, me atormenta; pior, o fantasma de uma pessoa viva. Viva demais. A cabeça já doendo, os olhos ardendo de cansaço, decido que tenho que me livrar dessas memórias quentes e festivas, ilusões, memórias agitadas de alguém que não deveria estar roubando minha paz. Ela vai ter que sumir, da minha mente e da minha vida, de um jeito ou de outro sobrou para mim resolver isso. Às 02:57, no ápice da raiva, peguei as chaves do carro, joguei o casaco velho da universidade no ombro direito e saí fechando a porta com cuidado para não acordar ninguém em casa.




Ane Karoline

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Com as duas mãos ao redor da xícara quente, já inebriada, embebida pelo aroma do chá, me lembrei. Acho eu que tudo se deu porque eu mesma já devaneava tanto que me via líquida como aquele chá, navegante perdida, afogada. Sempre mergulhando, até em pensamentos mergulho; sempre me lançando, até em relacionamentos me afundo, não posso mentir nisso; vou mentir para quê? Não é raro eu me perder em descomedimento. Um chá mesmo, veja bem, eu bebo quente, fervilhando ainda, embaçando os óculos com o vapor, que é para sentir a quentura quase me queimar a língua, aquecer a garganta e chegar rasgando no peito. O chá, para mim, é tomado assim: para ser sentido. 

Me parece - lembre-se sempre que o que me parece não condiz necessariamente com a realidade - que esse chá de hoje eu senti mais por ter esquecido de adoçá-lo, mas por outras coisas também. Sorrindo, então, com o peito inflamado pela temperatura, pelas doiduras, pelas dores e pelas suturas, usando o meu mesmo moletom velho, a lembrança veio num jato;  foi sentir o chá no peito para que eu logo me lembrasse da pergunta que há um tempo te fiz. Lá, aquele dia, eu ainda não sabia o que era mesmo tomar um chá, sabia apenas que chá pode ter significados variados e pode não ter nenhum. Dostoévski, por exemplo, achava que tomar chá era um luxo; minha vizinha já não acha; a gente achava que chá só servia para alívio de doença. A cena é ainda morna na minha cabeça, como a xícara em minhas mãos: eu, deitada, olhado para o teto escuro, te perguntei "o que é tomar um chá?". Pergunta maluca e despretensiosa para a qual não tínhamos resposta, questionamento incongruente sobre o qual fazíamos piada. Mas hoje me veio ela, a resposta. Me veio nessa xícara de chá sem açúcar: tomar um chá é tomar tento, é tomar tempo para respirar. 

A função do chá é que muda, mas o gesto não: cuidado. Se tomado sem companhia, cuidado consigo mesmo; se em companhia, cuidado com o outro. Já as incumbências é que podem ser das mais variadas; o chá gelado da semana passada, tomei para cuidar do estômago, coitado; o chá com aquele moço eu não tomei porque teria outro final; o chá que tomo em julho é para cuidar da garganta no inverno; o chá que tomo hoje é para aquecer. Com essa xícara, procuro, agora percebo, confortar os espaços vazios no meu peito, reservados a quem já se foi, espaços que ficando esburacados; os quais não posso, e nem quero, preencher, então, aqueço-os. E o chá que você, bem sei, participa sem mim, é cuidado também: é como que para me provar que a gente só toma chá com quem satisfatoriamente nos acolhe. Espero que te refugiem no calor da coletividade enquanto percebo que, para mim, tomar chá sozinha é o que convém. Continuemos, então, tomando chá, tomando tento, tomando tempo - seja lá qual for a intenção e a função dessa fusão. 

com amor
Ane Karoline

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Hesitante mais uma vez, no exato instante de agora, hesito. Mesmo agora, mesmo sendo quem tem propriedade para falar, mesmo sendo quem sente na pele todos os dias, hesito. Oscilo, me equilibro nessa corda bamba, que é ser mulher, enquanto vejo a torcida para a minha queda; me querem de joelhos. Quanto mais de pé fico, mais forte vejo ambas a euforia e a animosidade crescerem em repúdio à minha audácia. Se pedras haverão de me atirar, de pé estarei. É de pé que venho dizer o que me inflama o peito porque, assim, não admito que beltrano algum venha colocar o bedelho: aconteceu comigo e o espaço de fala é meu. 

Minha memória, para azar da maioria, é excelente, então, me lembro bem quando começou. Eu tinha exatos DEZ anos de vida e ganhei de aniversário uma calça legging rosa claro, o tecido era algodão grosso com laycra, não era transparente, mas era uma calça legging. Lembro-me, ainda, que  recebia incentivos dos meus pais para me empenhar mais nas aulas de educação física - nas quais meu desempenho sempre fora lastimável, dada minha falta de habilidades desportivas -  e, para tal, deveria estar devidamente vestida: calça legging. Pois bem, a legging rosa claro era do que eu estava falando, certo? Decidi usá-la a primeira vez no domingo para ir ao verdurão na esquina da minha casa, a pedido do meu pai, comprar umas cebolas. Tão logo entrei, o vendedor me encarava e sorria (o que agora sei ser um sorriso malicioso); ele, que deveria estar na casa dos trinta anos, não perdeu a oportunidade de elogiar minha roupa e dizer que eu já estava uma mocinha. Para encurtar o relato, digo apenas que o tal vendedor não podia me ver que assobiava, me chamava, me seguia até em casa, coloquei a culpa na calça legging e tomei raiva de roupa justas antes de completar onze anos. Inúmeras vezes criei caso em casa para não usar malha e nem laycra, a culpa era da calça. Não preciso nem dizer que meu renome de menininha-que-não-sabe-jogar-bola só cresceu, uma vez que os professores de educação física não me permitiam jogar bola com calça jeans. 

O que se seguiu em minha vida foi de tal forma intenso que, nem mesmo com minha memória excelente, sou capaz de lembrar de tudo. Assédios diários, vestida de burca ou de saia, calça jeans ou legging, no supermercado ou na padaria. Incontáveis. Violentos. Ouvi palavras que eu nem sequer conhecia e que agora, uma mulher adulta, me horrorizo ao descobrir seus significados. Sexualizada onde quer que fosse, menina, mocinha, adolescente, mulher: a que nasceu exclusivamente para o prazer do patriarcado, a que nasceu para procriar, calada. 

Segui o conselho e segui tácita, quieta. Ainda assim, aos doze, o professor de geografia fazia questão de elogiar minhas roupas e meu corpo; logo minhas notas em geografia caíram. Aos treze, o catequista me perseguia e constrangia; comecei a chorar para não ir à catequese. Aos dezesseis, o professor de inglês me propôs conversas em particular, fui estudar a noite. Na adolescência inteira, colegas, sobretudo mais velhos, de igreja se acharam no direito de me perseguir, me constranger, me obrigar a dar atenção a eles - ainda que dentro da igreja, e com a justificativa dela. Na escola, os shorts eram recriminados, mesmo os meninos podendo usar bermudas de quaisquer espécies, mesmo quando a primavera em Brasília chegava a 37 graus e minha pele, atópica, ficava cheia de bolhas. Sempre desviando, segui caminhando, me desculpando, trilhando um caminho a ponto de acreditar que a culpa era minha. De alguma forma, pensava eu, de alguma forma a culpa deveria ser minha e, por isso, deveria me calar.

Calada fui, tímida, retraída, oprimida, sem comentar com ninguém, achava que era só comigo, a sujeira deveria estar comigo, para tanto assédio receber. Sofri até. Até ouvir uma amiga contar sobre o medo que ela sentia, algo se reconstituiu em mim naquele momento: ela também sentia. Comecei a ouvir, a perguntar, a perceber as mulheres ao meu redor: amedrontadas. Medo dos assobios, medo do assédio, medo dos gritos (que, primeiro, são convites e, depois, são xingamentos): medo do estupro. Medo de que, por um descuido; um cabelo solto; um brinco; uma calça justa; simplesmente pelos dois cromossomos x, fosse a próxima a aparecer no noticiário ou, pior, a próxima a nem sequer aparecer no noticiário, morta, esfrangalhada, despedaçada, esquecida. Medo de ser uma das cento e trinta mulheres estupradas por dia. Medo de ser a próxima nos próximos onze minutos; medo de dormir no ônibus; medo de sentar próximo a um homem porque ele, certamente, vai abrir as pernas mais do que deveria; medo do motorista que encara minhas coxas quando entro no ônibus; medo do cobrador que me encara a viagem inteira; medo do cara que me encara no carro ao lado, quando dirijo; medo de sair. Medo de andar; medo ir à uma festa; medo de ficar sozinha com um homem; medo do vizinho; medo do professor da faculdade que olha meus seios, enquanto escrevo; medo do padastro; medo do pai. Medo de existir. Medo que existe porque é a gente que vê acontecer, porque é a gente que sente, é a gente  que ouve, é a gente que se recolhe na vã tentativa de se proteger contra os que são protegidos, os que são aplaudidos, os que são incentivados a serem desinibidos. 

Ser quieta, calada, retraída nunca me protegeu parecia, ao contrário, atiçá-los. Resolvi falar, então. Dizer não ao namorado que queria casar aos dezessete; negar beijo ao cara que chamou para um sorvete; reclamar com quem me apalpa "sem querer" no ônibus; gritar. Enfrentando desgraças e desgostos, me coloquei no local reservado para quem porta o cromossomo y, me infiltrei no lugar que, ainda hoje, é aclamado para eles. Foi lá, quando comecei a pesquisar, questionar, escrever e publicar que comecei, finalmente, a entender, a me perdoar: não tenho culpa, sou mulher, mas não tenho culpa. Foi quando, e só quando, seguraram na minha mão e me ensinaram que quem decide sobre o meu útero sou eu; que devemos, sim, falar sobre a dor que sinto todos os meses antes que eu morra de endrometriose, que eu comecei a dissipar a raiva. Me ensinaram, me condicionaram a sentir raiva de mim, a me odiar. Me ensinaram que a culpa era dos meus traços femininos, do corpo que ganhei ao começar a perder sangue, do jeito como sento, das roupas que uso, do cabelo longo. Me ensinaram que a culpa era minha e que, acontecesse o que fosse, eu deveria arcar com isso. Ainda que me agredissem, ainda que me traumatizassem, ainda que me assediassem, ainda que me estuprassem: eu deveria arcar com os prejuízos. Quanto aos lucros, quanto ao sexo, quanto à vida que posso gerar, quanto ao que devo comprar, quanto a como deve me vestir e me comportar, sobre isso sempre quiseram decidir e opinar. Eu, mulher, que fique com os prejuízos. Não mais.

De pé, sangrando dez dias por mês, é que grito: não mais haverão de me diminuir. Grito por mim e por outras. Grito pelo medo, pela raiva e pela justiça. Sigo gritando porque sei que ainda muitas, como eu, precisam de alguém que diga a elas a verdade: ser mulher é ser forte. Sigo gritando até quando eu tiver voz, até quando eu tiver o que dizer e quem, por ofendido ou culpado que se sinta, não quiser me ouvir, é convidado a sair. Estarei berrando até quando for preciso advogar em defesa da igualdade e do respeito às que sempre foram injustiçadas. Grito porque sei que querem nos calar, nos querem ajoelhadas. Ajoelhadas só estaremos se bem quisermos, onde e quando quisermos. Por enquanto, fiquemos de pé. 

com amor, 
Ane Karoline




Alô, Alô, rearteculadores. Hoje é dia de lançar mais uma promoção no blog, já que estamos no Fim do Ano e queremos deixar um gostinho literário para vocês. Então, o blog Interrupted Dreamer se uniu com mais alguns blogs para fazer um sorteio recheadinho para vocês ou, ainda, para presentear aquela pessoa especial. Que tal?

Regras

  • As inscrições para o sorteio terão início no dia 03/11/2017 e terminarão às 23:59 do dia 15/12/2017.
  • Os participantes devem ter um endereço de entrega válido em território nacional.
  • Os participantes devem preencher todas as regras obrigatórias do formulário Rafflecopter. 
  • Quando todas as regras obrigatórias forem preenchidas, o formulário Rafflecopter irá abrir as regras opcionais, ou seja, você preenche SE quiser e QUANTAS opções quiser. Quanto mais opções preencher, maiores são as chances de ganhar.
  • O sorteio será realizado no dia 17/12/2017 e os vencedores serão anunciados  no máximo até o dia 23/12/2017 por isso fique atento ao Facebook e ao e-mail.
  • Os vencedores terão 48 horas para responder o email ou contato no Facebook. Se não houver resposta, outro sorteio será realizado.
  • Cada blogueiro, e autor, terá até 45 dias úteis para enviar o seu respectivo prêmio aos ganhadores.  Os participantes ficam cientes, no momento da inscrição, que os prêmios serão enviados por pessoas diferentes e em dias diferentes. Sendo assim, o recebimento de todos os prêmios não será no mesmo dia e, sim, ao longo dos 45 dias úteis estipulados acima. 
  • Os blogueiros e autores não se responsabilizam por extravios, danos e perdas por parte dos Correios. 

Kit 01
Participantes: Estante da Josy - Fabiane Zambelli (Autora) - Virando Amor - Dose de Poesia - ReArteculando - Saleta de Leitura



Kit 02
Participantes: Coisas da Juu - AriaBooks - Lendo e Apreciando - Primeiras Impressões - Juntando as Páginas - Bela Quimera



Kit 03
Participantes: Bela Quimera - Conta-se um livro - Leituras da Mary - Le Café Rouge - Pétalas de Liberdade


Então, vamos participar ?
 Boa sorte!


Em comemoração ao aniversário do blog Leituras da Mary, organizamos um sorteio mega especial para os amantes de romances de época e históricos. Confira e participe!
Fique ligado no blog e nas redes sociais, pois teremos muitas novidades, dicas, resenhas, tags e várias outras coisas relacionadas à esse universo de época que tanto amamos.

Confira o Regulamento

- Para participar, basta preencher as entradas obrigatórias do formulário. Para ter mais chances de ganhar, o participante pode cumprir as entradas opcionais, que serão liberadas pelo formulário.
- É necessário Curtir (e não apenas visitar) as páginas dos Blogs.
-Quem não seguir todas as entradas obrigatórias será desclassificado.
- Os participantes devem residir em território nacional.
- Serão sorteados 4 kits de livros e mimos para 4 ganhadores.
- O sorteio será finalizado dia 30/11 e o resultado sairá nesse mesmo post.
- Os ganhadores receberão um e-mail e precisam respondê-lo com seus dados em até 72 horas, ou serão desclassificados.
- Cada Blog, autor e editora são responsáveis pelo envio de seu respectivo prêmio.
- Os blogs não se responsabilizam por possíveis extravios ou danos por parte dos correios.
- O prazo para envio é de até 30 dias.

Sorteio

Kit 1:  Trilogia Príncipes + Marcadores.
a Rafflecopter giveaway
Kit 2: Romances para se apaixonar.
a Rafflecopter giveaway
Kit 3: Só livros nacionais + Marcadores.
a Rafflecopter giveaway
Kit 4: Especial: 3 livros + 50 marcadores + Gargantilha.
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Apoiadores do Sorteio Especial #NovembrodeÉpoca
Autora Mônica Cadorin: Livro "A noiva trocada".
Autora  K. C.Bergamini: Livro "Eu nunca esqueci".
Autora Cintia Nogueira: Livro "O preço de um olhar".
Autora  Michaelly Amorin: Livro "Como seduzir um conde".
Diana Medeiros: Blog Meu vício em livros - Livro "Uma noite Inesquecível".
Maria José: Blog Pétalas de liberdade - Livro "O Duque e eu".
Ane Karoline: Blog Rearteculando - Livro "Razão e sensibilidade".
Juliana Camila: Blog Coisas da Juuh - Livro "Véu do tempo".
Daiane Quinelato: Blog Virando a pagina - Livro "Brumas do tempo".
Maria Luiza: Blog Dicas de Malu - Livro"O príncipe Corvo".
Cailes SalesBlog Histórias literárias- Livro " O príncipe leopardo".
Ariana Silva: Blog Aria books- Livros "O príncipe dos canalhas" e "O último dos canalhas".
Eloise GF: Blog Crônicas de Eloise - Livro "O príncipe serpente".
Ana Carla: Blog Histórias sem fim - Livro " Codinome Lady V.".
Rafaelle: Blog  Fascinada por histórias- Livro " Como se casar com um Marquês" (Sorteio no Instagram).
Mary C.S. PiresLeituras da Mary-Livros " Não me esqueças", " Destinados" e "Como agarrar uma herdeira"(Sorteio no Instagram).
Editora Arqueiro: Livros "Lady Wistledown contra-ataca" e "Romance entre rendas".



BOA SORTE !!

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Venho toda acanhada, sem jeito, vacilante e turva porque não sei muito bem como dizer o que eu tenho, com tanto empenho, evitado dizer. Venho dizer, mas escolhi dizer baixinho - que é mais para por para fora que para ser ouvida. Escuta aí, você, minha voz sussurrando. Espero que escute. Você se lembra da minha voz? Se não se lembra, tenta lembrar daquele dia que te contei aquela história; a minha. Se não conseguir lembrar mesmo, imagina. Imagina minha voz sussurrando, como quem tem um bebê dormindo em casa e teme acordá-lo. Imagina minha voz, bem baixinha, dizendo isso que eu tenho evitado dizer: eu tenho medo. 

Foi por isso mesmo que eu não disse antes, por medo. Logo eu, logo eu, logo eu. Não disse antes, sabe por quê? Por medo de cair em um buraco sem fundo, medo de não ter quem quer que fosse para me içar de lá. Se sou eu que iço os outros, imagina só, como é que eu poderia me permitir ao luxo de ter medo? Imagina só se eu ia lá cair nesse buraco sem fundo que eu achava que era o medo. Não podia. Por isso mesmo foi que o escondi, dobrei bem dobradinho e coloquei no fundo de uma gaveta trancada. Não queria ver o medo e nem queria que alguém o visse; por isso, não disse. Mas acontece que não dizer, não impediu o medo de fazer a morada que fez; construiu mansão em mim. Medo de cair, medo de tropeçar, medo daquelas pedrinhas que seguram a barragem na beira da pista, medo de apendicite, medo do estalo da madeira a noite, medo de não ter dinheiro do almoço, medo de um avião precisar pousar no meu quintal, medo de não ter mais um quintal, medo do moço que entra no ônibus e me olha, medo da censura. Me censurei, por medo. Achei que, se dissesse, se revelasse minha insônia por medo, cairia em um buraco. Agora, falei tudo e: não caí.

Está certo que falei meio sem querer, falei porque a verdade escorreu de mim. Escorreu de mim como eu mesma me escorro todos os meses. Escorreu como escorreram as lágrimas no rosto do rapazinho, quando achou que a mocinha morreria aos dezessete anos. Escorreu de mim, como sangue e lágrimas, involuntariamente. A verdade revelada é essa: tenho medo. E, agora, depois de revelada a verdade, me pareço mais inteira, mais corajosa, até. Imagina que antes eu pensava: logo comigo, comigo não. Fechava os olhos que era para não ver o medo, fechava a boca para não dizer. Dizia "está tudo bem, tudo bem". Imagina que antes eu pensava que não podia ter medo, que meu medo latente era fraqueza. Logo eu, eu pensava. Eu que, não raramente, ouço aclamarem minha coragem. O medo que eu tinha era de perder a coragem.

Acontece que, até aí, eu não sabia. Veja bem, eu ignorava o fato de que medo e coragem coexistem dentro do coração da gente. Finalmente, por um escorregão, acabei descobrindo que foram os meus medos que acabaram me empurrando para fazer a coisa mais corajosa que já fiz: admitir minhas fraquezas. Agora, se me perguntam, digo mesmo que tenho medo. É isso que me faz corajosa: reconhecer meu medo, mesmo sabendo-o ser um abismo sempre pronto para me puxar.

Ane Karoline 

Ultimamente, os vídeos têm tomado conta de todas as nossas timelines, algumas vezes, é raro encontrar umas palavrinhas escritas para nos distrair. Pois bem, para quem sente falta de conteúdo escrito de qualidade, esse post chegou em hora! Nós, do Rearteculando, separamos cinco blogs muito interessantes para serem visitados. Vamos conferir?



1- Começamos nossa lista com o blog parceiro do nosso blog: Amigos de Cena. É um blog de conteúdo amplo e bem descontraído. A chamá-los para conhecer, deixo as palavras do criador do blog, Kiones: "Todo mundo tem um amigos, todo muito tem cenas engraçadas, divertidas, constrangedoras e perrengues. #AmigosDeCena é um blog feito de relatos pessoais, criticas e tudo o que gira em torno de nós! Então, venha para cá e mergulhe nesse mundo editado e personalizado de historias incríveis."
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2- Atualizado diariamente, o Pétalas de Liberdade traz postagens sobre livros dos mais diversos gêneros e épocas.

3- Alimentado por Gabriella Aleixo - escritora, blogueira, leitora e artesã -o blog é uma forma de compartilhar uma paixão e  trabalho (livros e entrevistas). Quando se ama o que faz, a gente se diverte trabalhando, trabalha divertindo, e faz tudo com muito gosto! No blog, Gabriella posta resenhas de livros e entrevistas. 


4-  O Universo Gemini é um espaço para tudo, músicas, filmes, séries, curiosidades ou até mesmo poesia. Um lugar em que a imaginação é o maior limite do leitor. 

5-  Universo de Contos é um blog dedicado a vários contos de fantasia e ficção científica. Venha conferir as histórias ilustradas mais malucas e inusitadas da internet. 


E, então, vamos conferir?