Foto por: Ane Karoline

   Estive pensando sobre o amor e no quanto nós o distorcemos: quantas coisas a gente faz "em nome do amor"? Bom, se fizermos algo "em nome" do amor (sobretudo, grandes esforços), já deixou de ser. Não estou eu, aqui, tentando levantar uma teoria de que não devemos nos arriscar por quem amamos e nem, tão pouco, escrevendo um roteiro de como amar. Longe disso. Mas devemos ser cautelosos.
   O que me ocorreu para ter essa iluminação filosófica repentina a respeito do amor? Acho que minha mente, que já pensava sobre o dado assunto, atraiu um link de uma carta sincera de um pai para a filha: achei o link por acaso e me dispus a ler (tudo que está relacionado à cartas me chama atenção). Como sei que nem todos lerão a tal carta- e essa não é a minha intenção, tão pouco- vou contextualizá-los. Um pai, ao navegar pela internet (navegar, sim, porque eu sou um dinossauro), notou que havia uma grande busca por coisas do tipo "como mantê-lo interessado em mim?", "como ser atraente?". O pai (um fofo, né) sentiu-se horrorizado e resolveu escrever uma carta para a filhinha dizendo que ela nunca deveria se preocupar com coisas desse tipo, não deveria se preocupar em manter ninguém interessado ou mudar algo em si mesma para despertar interesse em alguém. 
   
Certo, pulando os comentários sobre o quão atencioso é esse pai, quero dizer que a única maneira de ser alguém "interessante" e atrair pessoas que estejam "interessadas" em você, é sendo EXATAMENTE quem você é, essa é a grande missão da sua vida: descobrir quem é. No big deal: se você se ocupa em ser quem você é, as pessoas que se aproximarem de você, provavelmente, estarão interessadas em estar perto de VOCÊ e não de uma fantasia.
   E o que isso tem a ver com amor? É que o amor é verdadeiro. Entenda que ninguém bate na sua porta e diz "Me ame ou vou atirar uma flecha no seu peito", "Me ame e mude quem você é para se adaptar às minhas necessidades", "Me ame e dedique sua vida a mim". Ninguém o faz, pura e simplesmente porque isso não é digno da genuinidade do amor, somos nós quem criamos esses "eu tenho que": nós é quem criamos essas fantasias de que sendo altruístas estamos amando verdadeiramente. A partir do momento em que nos percebemos fazendo coisas, grandes esforços e/ou passando por cima de nós mesmos e de outros em nome do amor, ele deixou de existir. Assim, além de difamar o amor em prol de nossos desejos e irracionalidades pessoais, ainda destruímos a nós mesmos e aos outros aqueles os quais julgamos como dignos para refletir e carregar o fardo daquilo que fantasiamos como amor.
   Digo tudo isso de forma muito sincera e, talvez por isso, confusa para registrar que no vigésimo primeiro dia do desafio de Como ser feliz por 100 dias seguidos  (acompanhe aqui) consigo perceber características cruciais do amor: a gente não pode dar o que não tem. Para dar amor e amar é necessário que tenhamos o amor dentro de nós, é necessário que nos amemos antes de amar o outro. 
   Está aberta a reflexão: o que tem feito "em nome do amor" é realmente por amor?    
   Já disse e me sinto bem e repetir: o amor cura, não fere.
   

Forte abraço, 
Ane Karoline.

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