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É perturbador. Você me tirou um pouco da fé que eu tinha nas pessoas, sabe? Me fez duvidar do amor, ao perceber que ele nem sempre é o bastante. Sei disso porque eu te amei. Na verdade, ainda amo e, todos os dias, tento limpar um pouco da bagunça que esse amor deixou aqui. Tento encaixotar cada parte desse amor aos poucos e guardar em algum lugar onde pese menos, um lugar onde todas as lembranças não baguncem tanto a sala de estar da minha vida. 
Em alguns dias sou mais forte e encaro a confusão. Em outros dias nem tanto. E, ainda existem dias, certos dias em que eu apenas apenas fecho os olhos, puxo a coberta e choro baixinho para ninguém ouvir - para que acreditem que sou realmente tão forte quanto pareço ser. E, assim, vou seguindo: um dia após o outro, um passo de cada vez, me reorganizando devagarzinho, percebendo que não é possível ir mais rápido, ansiando que o tempo faça seu trabalho.
Tenho também que admitir que caminho de forma contida porque estou decepcionada e com medo. Eu apostei alto no que tínhamos e perdi tudo. Eu achei que nunca perderia, entreguei tudo que tinha, mas errei, e, quando a gente erra nessa proporção, é difícil se equilibrar na estrada da confiança outra vez. Tenho, sobre mim, uma nuvem de medo constante de passar por isso de novo. Não aguentaria essa dor, a devastadora sensação de não ter nada novamente - me desespero só em imaginar, cogitar algo assim. Esse medo fez com que eu me fechasse para as pessoas, em uma tentativa de proteger meu coração até que eu fique mais forte. Na verdade, espero ficar forte um dia. Espero não fugir do amor para sempre, não ficar com o pé atrás com todos os caras que se aproximarem de mim, duvidando de tudo. Espero sair dessa.
Não dá para negar: é muito doloroso quando a gente acredita em alguém, quando a gente, cegamente, acha que conhece alguém e, de repente, percebe que tudo foi um erro, uma sucessão de erros que durou tempo demais. Nesse caso, uma sucessão de erros que durou tempo suficiente para que eu me dispusesse a fazer esforços inimagináveis. Eu ia abrir mão de quem eu sou, por você. Acho que você não tem a mínima ideia do que é isso: eu cogitei me anular, esquecer meus sonhos e te escolher. Estive a centímetros de o fazer, de pular de cabeça mais uma vez, quando algo me segurou, me olhou nos olhos e me lembrou que o amor não prende, o amor dá asas. O amor é voo!
Foi assim que fiz a escolha mais difícil da minha vida: eu me escolhi. Apavorada, fechei os olhos, inspirei, reuni toda a coragem que existia em mim e cortei os laços. Em um rompante de coragem súbita. Desesperada, bati a porta e saí correndo na minha direção. Doeu ter que fazer isso sozinha. Eu era uma menina que acreditava no amor, ansiosa para ser "feliz para sempre", em busca do futuro. Mas me tornei mulher.
Me tornei mulher ao entender que não existe um final feliz se o caminho não for feliz, porque o futuro é feito de vários presentes, é feito agora! Me tornei mulher ao entender que ninguém vai me completar, eu sou completa e devo buscar, em mim, os sonhos que meu coração anseia, a força que meus pés precisam, as respostas para todas as perguntas que carrego também em mim. Me tornei mulher ao perceber a beleza existente na paciência, na confiança plena de que o que é meu vai chegar até mim, desde que eu continue caminhando e me construindo para estar pronta e perceber quando chegar. Me tornei mulher ao ver que o futuro é o que eu decido agora, e eu preciso me organizar para caminhar sem pressa mas, também, sem perder tempo. 
O que eu quero dizer é que eu nunca direi nunca - na verdade, ainda busco maneiras e caixas grandes o suficiente para encaixotar esse amor que ainda é teu - mas, hoje, eu enxergo o mal que nos fizemos mutuamente. Vejo todos os nossos erros e quero continuar me escolhendo. Todos os dias, antes de sair de casa, eu relembro cada motivo e convenço meu coração de que partir foi a melhor escolha. Bato a porta do carro e falo em voz alta, como que uma prece para o meu coração entender: hoje não. 



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