Não sei se você vai ter tempo para ler, não sei onde você está e, também, não sei como você vai reagir a isso mas achei que deveria lhe dizer. Achei que deveria lhe dizer que ainda dá tempo. Estava daqui observando e acho que ninguém te contou, não é? Não se preocupe, a gente não nasce sabendo: a gente vai se fazendo. Ninguém me contou também, mas quero muito investir minha energia em dizer-te isto: ainda dá tempo.
  Não precisa me dizer que a vida te ensinou a ser assim, eu já sei. Já sei que o comando sempre foi esse: seja melhor que os outros. Sei que lá no jardim de infância, a tia só pendurou na parede o desenho mais bonito. Sei que só quem grita mais alto é ouvido, sei que só são mencionados os que são tidos como melhores. Eu sei. Sei que os "melhores" são escolhidos por um padrão injusto que, no fim das contas, não sabemos quem foi que inventou. Eu nunca assinei nenhum contrato, nunca disse que queria e nunca concordei com a ideia de estarmos todos sempre competindo. Aposto que você também não. Então, porque estamos nós seguindo uma ideia que, no fim das contas, não nos favorece? Porque estamos agindo de acordo com uma filosofia que não foi pensada por nenhum de nós? A troco de quê, estamos matando-nos uns aos outros? Não ter essas respostas me relembra: ainda dá tempo.
  Não quero impor, insinuar ou sugerir a ideia de que somos todos iguais em grau, número e gênero. Não me apetece o discurso de que, no fim das contas, pensamos as mesmas coisas e temos as mesmas ideias, isso não é verdade. É discurso de quem tem preguiça de ver as singularidades. E, quando digo que ainda dá tempo, quero ressaltar exatamente isso: as singularidades. Nenhum quebra cabeça é montado com peças iguais: é a diferença que nos constrói e faz de nós necessários. Somos todos necessários. Pense por esse lado: olhe a infinitude de coisas que podemos construir. Juntos.  E ainda dá tempo.
  Não vejo um motivo, ou argumento, forte o suficiente para me convencer do contrário: juntos podemos reconstruir todos os laços, podemos reorganizar nossos passos e arrumar toda essa bagunça. Um pensa na forma, o outro vai dando um jeitinho, aquele ali fotografa, o outro aqui traz as cores enquanto uma galera canta para nos aquecer a alma. Uns vão falando e outros escrevendo. A uma ideia boa aqui, outra nem tanto. Uma discordância ali, às vezes, vira um canto. E em meio a tudo isso, você pode, ainda, estar em dúvida: será que ainda dá tempo? Sim.
  Sim. O não nós já temos até agora e, sinceramente, não me parece que tem dado certo assim. Então, sim, te convido a abrir mão, dizer não ao seu troféu de "o melhor", por agora,  para que possamos construir o planeta "dos melhores". Sim, quero investir toda a minha energia em dizer-te isso: ainda dá tempo. 

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