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Eu o encontrei. O amor da minha vida, quero dizer. E foi tão sutil a chegada dele que, no início, não percebi. Chegou com carinho, muitas vezes disfarçado de um bilhetinho de bom dia, de uma ligação, de paciência,  de gestos de sinceridade e cuidado. Outras tantas, veio disfarçado de bom humor. De humilde que é, se fez pequeno o suficiente para que eu, com minha mania de grandeza, o visse. E quando, finalmente, o vi entendi: o amor, quando é, é. Não carece de justificativas. E, pela simplicidade de ser, algumas vezes passa despercebido. E eu, que tantas vezes o deixei passar, consegui encontrá-lo.  Pode chamar do que preferir: sorte, destino, predestinação, boa vontade ou coragem. É que, além de sorte, eu tive muita coragem. É preciso muita coragem para amar.
Foi mais ou menos assim que o encontrei: quando me vi abandonada e devastada pelo que julguei ser o amor da minha vida, quando me julguei incapaz de amar, o amor - de verdade - apareceu. Um amor que, ao me desejar bom dia, sempre vem carregado do desejo de que meu dia seja realmente bom e que, além disso, ainda me pede os relatos no fim do dia, me dando suporte quando o mesmo não foi tão bom: me acolhe, me recolhe, me ajuda a juntar meus destroços despedaçados. Um amor que se alegra com minha alegria, em comunhão comigo. Um amor que quer me ver - esteja eu sorrindo ou chorando  - mas, sobretudo, me ver sorrindo. Ou, pelo menos, saber que estou sorrindo - onde quer que eu esteja. Um amor que me oferece o ombro e me oferece espaço. Um amor que me ensina canções e melodias. Um amor que se dispõe a ouvir meus dramas repetidos às 2 da manhã, em uma noite cansativa de sexta. Um amor que me lê. Um amor que diminui o açúcar do café só para proteger meu estômago. Um amor que move o mundo em uma segunda-feira a noite em um 4 de julho qualquer. Um amor que não se contenta em mandar um recado, aparece e vem ficar ao meu lado. Um amor doce. Um amor que escreve e compõe para mim e por mim. Um amor que aceita as minhas limitações e segura minha mão ao invés de soltá-la quando tudo fica difícil. Um amor que decora meu cheiro e meu jeito de falar. Um amor que me escuta falar sobre Clarice por horas - mesmo sem gostar de literatura brasileira. Um amor que me indica filmes e músicas. Um amor que me traz água de coco e aceita ficar horas sem fazer nada, quando não estou fisicamente bem. Um amor que me protege. Um amor que canta para mim. Um amor que, calado, me beija a testa. Um amor que me abraça e diz o quanto é bom me ver. Um amor que reconhece minhas falhas e sabe como me dizer onde falhei, sem me julgar ou diminuir. Um amor que quer me ver crescer. Um amor que luta comigo. Um amor que fica.
E foi assim que o reconheci: em diferentes rostos. Vários. Esse amor que, agora vejo, é o mesmo e, ao mesmo tempo, consegue ser tão singular em cada um. Esse amor que, de tão infinito, consegue se fazer presente em várias pessoas sem perder sua genuinidade. Genuíno. É isso que esse amor que tenho é. E, por isso, é tão especial e único: o vejo em várias pessoas em vários momentos, ações e lugares. E essas pecinhas, quando juntas, é que fazem com que meu coração siga batendo, siga esbofeteando a vontade de desistir, siga. São esses gestos suaves que me fazem respirar e ver que o amor da minha vida é, sempre, todo o amor que recebo - de onde quer que venha. E quando, finalmente, tive a sorte de encontrar esse amor da minha vida percebi: sem amor eu nada seria.

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