Se eu pudesse te dar um conselho, seria: fique só. Afaste-se de todos. De todo mundo mesmo. Acostume-se com a sua própria companhia até que consiga construir intimidade consigo mesmo. Eu sei que se conselho fosse bom, não seria gratuito, mas confie na gratuidade desse: tenha um tempo com você. Aliás, confie na gratuidade da sua companhia: tão preciosa e tão barata. Antes de qualquer coisa, esteja com você, é a melhor companhia que você vai ter. Ainda não te convenci? Vamos usar a lógica, então. Quão bem você se conhece? Provavelmente, não o suficiente para se julgar insuficiente. Vamos lá, se dê uma chance.

Estou te incentivando porque a solidão é o encontro com o vazio e, acredite se quiser, o vazio pode ser cheio de gente. Vazia. Ou de gente cheia - de si. Ninguém vai conseguir preencher um vazio que tem o seu formato. É como querer encaixar um quadrado dentro do espaço exato de um triângulo: não vai caber. Eis aqui o que você vai praticar: vai investir em você. Quando você se encontrar, a solidão vai parar de te assediar.  Dito isso, quero esclarecer: não estou te impelindo a se isolar, só estou dizendo para se acalmar. Vai se conhecer, se descobrir, se encontrar e, posso te garantir, a solidão vai te esquecer - ou você vai esquecê-la. A solidão é um parasita que se alimenta do nosso medo de ficar só e nos faz pensar que é melhor estar mal acompanhando que só. Mas não é. Como é que alguém vai te acompanhar, se nem você sabe quem é?

Depois, quando sua companhia for suficiente para te fazer feliz, aí sim, volte e deixe que as pessoas te acompanhem, enquanto você também as acompanha. Aí sim, vão ser companhias saudáveis. Aí sim, serão companhias que não te jogarão no abismo da solidão quando precisarem ir embora. Não serão necessárias, serão acréscimos, vão te transbordar. E como é delicioso se deixar acompanhar sem precisar. Essa é a companhia verdadeira: não é necessária, é uma escolha. Mesmo sem ela, a gente consegue seguir . Não da mesma forma, mas consegue. 

Do meu quarto, sozinha, Ane Karoline (texto sugerido pelo Adolfo Rodrigues)

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