Recebo, inúmeras vezes, o título de otimista por sempre conseguir acreditar  que vida pode ser mais doce e os nossos passos podem, sempre, ser mais leves: depende do quadro que a gente pinta para a vida da gente, depende da coreografia que a gente escolhe para a nossa vida. Eu tenho a sorte de encontrar pessoas que compartilham comigo a vontade de re(arte)cular a vida. Tenho a sorte de encontrar, em meu caminho, pessoas que compartilham comigo a vontade de ser mais leve, de dançar a vida. E foi em um desses passos, da minha dança pessoal, que encontrei um alguém especial que dança comigo desde então e que vou apresentar para vocês durante esse mês de junho. Eu a entrevistei para mostrar a vocês uma outra visão otimista da vida- que não a minha- e melhor: uma visão de uma artista, uma bailarina. Não me delongarei, ela faz as honras de se apresentar. 
  •  História pessoal com a dança
Eu louvo a dança

A dança significa transformar o espaço,

o tempo e a pessoa, que sempre corre perigo
de se desfazer e ser ou somente cérebro,
ou só vontade ou só sentimento.
A dança, porém, exige o ser humano inteiro,
ancorado no seu centro,
e que não conhece a obsessão da vontade de
dominar gente ou coisas,
e que não sente a demonia de estar perdido em
seu próprio ser.
[…]
Ó homem, ó mulher, aprende a dançar,
senão os anjos do céu não saberão o que fazer contigo.


Santo Agostinho, em Eu louvo a dança

   E é com as palavras de Santo Agostinho que começo a escrever a minha história na dança. Primeiramente, (bom dia, boa tarde, boa noite!). Meu nome é Ana Luiza e fui convidada à escrever para vocês sobre minha experiência na dança. Sempre fui apaixonada por ballet, e apesar de fazer dança de salão desde cedo, não tive a oportunidade de começar a dançar ballet desde criança. Sim, comecei já ''bem tarde''- como diriam os leigos. E é sobre essa experiência maravilhosa que venho até aqui começar essa maratona de textos com vocês.  Aos dezoito anos, isso mesmo, DEZOITO ANOS, criei coragem e fui até a escola mais próxima de ballet para me matricular. Depois, claro, de pesquisar, ler estórias e depoimentos de meninas mais velhas, tirei a vergonha da cara e fui! Chegando lá me surpreendi com a quantidade de meninas mais velhas se matriculando, e algumas já dentro da sala de aula. (QUE EMOÇÃO!)
   Meu coração disparou, e por alguns segundos conseguia ouvi-lo bater tão forte que pensei que outras pessoas também conseguiam escuta-lo.  A emoção de comprar o primeiro collant, a primeira sapatilha meia ponta, a primeira meia fina, que de tão pequena parecia não me caber: até coloca-la e me sentir uma bailarina nata! Lembro que minhas primeiras aulas seriam em dias de terça e quinta-feira. Não me aguentava de tanta felicidade. Sempre fui muito tímida- mesmo que consiga disfarçar bem- mas já havia trabalho essa timidez na dança de salão, então imaginei que seria mais fácil.
   A escola em que me matriculei, é uma escola profissionalizante. Lá nós temos aulas práticas, teóricas e provas semestrais. Quando entrei, a minha turma já tinha uma prova prática marcada, e eu teria que aprender as cincos posições básicas naquele mesmo dia para que pudesse fazer a prova na outra semana. Assim que aprendi as cinco posições, na outra aula tive que aprender uma coreografia (com essas cinco posições), sendo ela de cinco minutos. Aí vocês podem me perguntar: “Mas só cinco minutos?” Deixem-me contar-lhes um segredinho: cinco minutos em uma coreografia de ballet iniciante, É UMA ETERNIDADE!!!
 Além de ter postura, você precisa concentrar na respiração, já que por mais dor que esteja sentindo, você precisa se mostrar leve! Para dar uma ideia a vocês, o que aprendi em uma única aula: 
POSTURA;
RESPIRAÇÃO CORRETA;
POSIÇÃO DE BRAÇOS SEGUIDAS DAS POSIÇÕES DAS PERNAS E PÉS;
QUEIXO LEVANTADO!!!!
  Gente, é muita informação! Depois de uma hora, aprendendo tudo isso, a recomendação da professora era: TREINO. Eu precisava treinar em casa para conseguir fazer a prova, já que as meninas da minha turma estavam treinando isso há um mês. Nossa mestre, que é professora e diretora da escola, estava de licença maternidade e só iria aparecer na escola no dia da prova para nos avaliar. Meu nervosismo foi à flor da pele. Pois na quinta feira lá estava eu, morta por dentro, me tremendo até o último fio de cabelo. Aprendi as contagens da música ali mesmo, porque não tive tempo para isso. Uma fila de meninas nervosas, todas com a idade entre 16 e 18 anos. Isso mesmo, eu era uma das mais velhas. A professora ia chamando pela ordem de chamada convencional, e lá fui eu, a segunda a ser chamada.
Entrei para me apresentar:
- Olá!
-Olá!
- Seu nome completo e idade por favor!
-Ana Luiza M. R. P de Azevedo, dezoito anos!  Já estou velha pra isso né? (risinho nervoso)
-Velha? Não existe velhice para nada que a gente queira para nossa vida! Pode se posicionar.
   E lá estava eu, me sentindo a bailarina, me olhando no espelho com o queixo para cima, me encarando no espelho, pensando no meu futuro ali dentro. Consegui dançar a coreografia inteira, agradeci e sai da sala com o sentimento de dever cumprido! E hoje estou à dois anos (quase três) fazendo a coisa que mais amo na vida: DANÇAR.
   No nosso segundo encontro por aqui, vou falar mais detalhadamente sobre meus treinos e rotina. E se você, como eu, tem o desejo de se tornar uma bailarina, ou um bailarino vá em frente. Não deixe ninguém te dizer que você não vai dar conta. Exemplo disso sou eu!

Abraços, Ane Karoline e Ana Luiza.


2 Comentários

Deixe um comentário

O tempo é maior presente que podemos dar à alguém: obrigada pelo seu. As palavras são afeto derretido, que tal deixar as suas? (Caso tenha um site, para que possamos presenteá-lo com nosso tempo,divulgue-o aqui). Forte Abraço.