Quando foi que a honestidade começou a doer? É que só pode ser esse o motivo de ser tão evitada: dor. Afinal, não existe outro motivo bom o suficiente para que se possa deixar de lado a sensação de veracidade. Ou existe?
   Para a minha personalidade inquieta, é impossível compreender a razão de esconder a verdade. Porque não ser o primeiro a dizer "eu te amo"? Medo? Mas medo de dar amor? Não pode. Não precisa. É tudo muito mais simples. Já reparou na beleza do céu, logo pela manhã? E quando começa a primavera, quando aqueles ipês maravilhosos florescem? Isso é o Universo derramando amor, sem medo, sem dó, sem jogo. Agora diz aí: isso consegue ser ruim? Um amor tão puro, sincero e singelo consegue ser ruim? 
   A gente acaba perdendo os detalhes: coisinhas simples que poderiam nos fazer felizes, uma vida inteira (ou várias) mudada por uma palavra que não foi dita, um coração que não foi seu mas poderia ser.  Pra quê, então dar preferência a esses joguinhos de quem ignora mais? Quem fala por último é o vencedor, hoje em dia? Ah, mas que bobagem. Com esses freios sem pé nem cabeça que colocamos em nós mesmos, com essa mania de passar por cima do que a gente quer, acabamos colecionando pedaços das coisas; pedaços das pessoas. Fotos, por exemplo, são muito boas mas o bom, o bom mesmo, é ter participado do momento da foto; ter vivido. E depois passa, como tudo na vida. A gente não precisa colecionar nada, pra quê se encher de tanta coisa desnecessária? 
   Não faz mal mudar de emprego, de roupa, de estilo, de cidade ou de amor. Não faz mal cair sete vezes se o importante é levantar oito. O que faz mal é ficar no emprego que não gosta, usar uma roupa que aperta ou tentar reciclar um amor que há muito já foi enterrado. O que faz mal é iludir a nossa própria alma. Os impulsos que a gente reprime acabam nos derrubando. 
   Até tentei atenuar, diminuir e suavizar. Tentei suportar metades. Paciência. Tentei, mas já aviso logo  que  o êxito não foi atingido. Em contra partida obtive êxito pessoal em descobrir que não vale a pena: não dá para diminuir a nossa própria frequência. Antes se arrepender pelo excesso do que pela falta: de tentativas, erros e acertos. Pra quê manter os pés no chão mesmo tendo asas e querendo voar?


Ane Karoline

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