Não precisa ligar. Não precisa mandar uma mensagem e nem pedir para que alguém me diga alguma coisa. Se for para dizer meias palavras, não precisa. Não é ironia, não é falsa moral, nada disso. Não precisa fazer qualquer esforço para criar justificativas - nas quais nem você acredita. Melhor: não precisa porque não vale a pena. Não vale nada. Qualquer coisa dita em vão, não me vale nada - nem a mim e nem a ninguém. 
Me vale mais um "não fui porque não quis" que um " aconteceu isso ou aquilo". Me vale mais um "não gostei disso" verdadeiro que um "tudo bem" chateado. Me vale mais um "eu gosto de você" ardente que um "eu te amo" frouxo. Me vale mais um "adeus" com o coração em chamas que um "eu fico" sem nenhum fervor. Se é sem fervor, é sem valor. É morno.
Não me acostumo com o morno. Imagine só, café morno, presta? Não. Sopa morna, abraço morno, chá morno, presta não. Clima morno, então? É aquela coisa abafada que não se sabe se chove, se molha, se queima ou se mata: enforca. Amizade morna é aquela que enfeita: não briga, não liga, não ajuda e não ajeita. Um morno aqui, um mais ou menos ali, um tanto faz aculá e a pessoa fica morna, com uma vida morna e vivendo de metades mornas.
Metades também não me valem. A inteireza é tão bonita! Dá um trabalhão? Dá sim. A gente tropeça, leva um tombo daqueles para deixar no chão por dias, chora que se acaba. Se acaba por inteiro. Mas quando levanta é por inteiro também. Chorou tudo que tinha para chorar para poder sorrir de verdade. Que coisa triste é um sorriso pela metade. Nos submetemos a cada coisa, né? Sorrir pela metade.  Vai aceitando felicidade mais ou menos, amigos mais ou menos e amores mais ou menos. Se mata, finge que não, dissimula, faz das tripas o coração mas dizer a verdade? Não. Essa simples negação é a causa e não a solução.
 E é por isso que estou apostando em abrir as portas para a verdade, dar a cara a tapa, e ouvir o que ela tem a me dizer. Sabendo que a verdade pode doer, que laços vão se desfazer e que só o que me vale vai permanecer. Arriscando jogar tudo pra lá, chutar o balde, meter o pé para acabar com todo tipo de farsa que possa haver. Desconstruindo paredes de realidades irreais para abrir portas para verdades adventícias. Sem medo e sem pesar, medo a gente tem que ter é de dissimular, iludir e enganar - aos outros e a nós mesmos: qual é a mentira que contas para o reflexo no espelho?
Sendo assim, não precisa ligar, mandar cartão, fax ou mensagem. Se as palavras forem vãs, jogue-as fora. Poupe aos outros e, primeiramente, a você. Mas se, sinceramente, quiser conversar, pode vir cá, a gente toma um chá, se acerta e papeia sobre as promessas para o ano que está para chegar.

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